sexta-feira, 28 de maio de 2010

Guiné 63/74 - P6486: Depois da Guiné, à procura de mim (J. Mexia Alves) (4): Sem Caminho





1. Mais um bonito texto de Joaquim Mexia Alves*, ex-Alf Mil Op Esp/RANGER da CART 3492, (Xitole/Ponte dos Fulas); Pel Caç Nat 52, (Ponte Rio Udunduma, Mato Cão) e CCAÇ 15 (Mansoa), 1971/73 para a sua série:





DEPOIS DA GUINÉ, À PROCURA DE MIM

20 ANOS DEPOIS (4)

SEM CAMINHO

Tenho os olhos abertos
mas não vejo,
o meu futuro.
Tenho os braços estendidos,
as mãos abertas,
mas não agarro
o meu presente.
Os meus pés movem-se para a frente,
mas não me afastam,
do passado.
Olho em frente,
e vejo caminho,
mas quando o começo a percorrer,
ele foge de mim,
e dá-me um horizonte
sem fim.
Olho para trás,
e fujo,
mas o passado agarra-me,
ultrapassa-me até!
Que coisa estranha,
esta é,
o querer daqui abalar,
sem antes
aqui chegar!
E lá vem o poeta,
na sua frase imortal,
«tudo vale a pena,
se a alma não é pequena»,
e aqui é que está o mal!
É que a minha é tão pequena,
que nem a consigo encontrar!
Esconde-se de mim,
troca-me as voltas,
faz de conta que eu não existo,
ou melhor,
ou pior,
sei lá eu,
faz de contas que não existe.
Vagueio assim pela vida,
olhos fechados ao caminho,
e oiço-os,
os outros,
bem atrás de mim,
dizendo baixinho,
olha, lá vai o “sem alma”!
Mas o que é que isso lhes interessa,
o que têm a ver comigo,
se eu próprio não me interesso,
se só a indiferença me acalma,
para que me querem,
como amigo!
Olho para dentro de mim,
vejo tudo,
e nada vejo.
Fecho os olhos,
adormeço,
deixo que o sonho,
seja esperança,
confiança e vida em mim.
Deixo-me ir,
assim,
devagarinho,
já não há muito caminho,
porque o princípio…
é no fim…


91.12.12


Um abraço do
Joaquim
__________

Notas de CV:

(*) Vd. poste de 26 de Maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6471: Vídeo: Fado da Guiné (letra original e voz de Joaquim Mexia Alves)

Vd. último poste da série de 19 de Maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6431: Depois da Guiné, à procura de mim (J. Mexia Alves) (3): Sem título I

4 comentários:

MANUELMAIA disse...

OLÁ MEXIA,

GOSTO DA MANEIRA FÁCIL COMO JOGAS COM AS PALAVRAS DENOTANDO UMA HABITUAÇÃO CLARA AO ESTILO.
GOSTO DOS TROCADILHOS EM QUE TE EMBRENHAS,MAS GOSTO SOBRETUDO DO SENTIMENTO E DA SONORIDADE TÃO BEM EXPRESSSOS.

Anónimo disse...

Parabéns, gostei, gostei mesmo.
BSardinha

Anónimo disse...

Caro Joaquim,

O Manuel Maia em dois parágrafos escreveu um livro sobre o teu poema.

Não é necessário mais.

Parabens! continua.

Um abraço,

Mário Fitas

Anónimo disse...

Cmandante Mexia, não pares de te procurar através de palavras tão bonitas.
Se te não encontrares, não te rales...conseguite que outros o fizessem através de sentimentos tão bem expressos nos teus jogos de palavras.
Um abraço amigo do Vasco.
Vasco A.R. da Gama