quinta-feira, 21 de maio de 2009

Guiné 63/74 - P4397: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (21): Comentando, comentários (Manuel Maia)

1. Mensagem do nosso incansável camarada Manuel Maia, ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610, Bissum Naga, Cafal Balanta e Cafine, (1972/74), com data de 20 de Maio de 2009:

De entre os vários comentários ao meu último poste (4373) há um que pelo seu teor difere, em muito, dos outros.

De novo, MR (que saíra a terreiro a comentar um comentário ao meu poste imediatamente anterior...) agora perfeitamente identificado como Magalhães Ribeiro, que pude constatar tratar-se dum Ex-Fur Mil Op Esp/Ranger, vice-presidente da Delegação do Porto da APVG (Associação Portuguesa de Veteranos de Guerra) e membro dirigente da AOE (Associação de Operações Especiais) e da LAMMP (Liga dos Amigos do Museu Militar do Porto) e co-editor desta nossa Tabanca Grande, evidencia algum desconforto relativamente àquilo que escrevi.

Recorde-se que está inserido no comentário do comentário de Júlio Pinto(Angola) que estranhava o relativo silêncio da Tabanca em contraponto com o acontecido no caso do jornalista da Visão...

Escrevi: ...alguns entendem que o referido militar não merece quaisquer críticas...

MR escrevera : ...muitos nem reagirão porque pensam que ele nem resposta merece...

Ora, críticas, neste caso, seriam a resposta (que Júlio Pinto requeria) às afirmações proferidas por AB...

Nem sequer por simples dedução... alega MR.

Nem sequer é uma questão de dedução, diria eu, está lá!!!

É certo que poderia ter aposto a palavra, sequer, ficando ..."não merece sequer quaisquer críticas...

Não alterava profundamente e portanto esta questão de semântica parece-me de lana caprina não havendo assim razão para tanto agastamento...

O cerne da questão foi, é e será, a ignóbil forma como o general Almeida Bruno falou dos muitos milhares de militares que deram o corpo ao manifesto para que ele e outros, como ele, profissionais medrosos e sem vergonha, pudessem ter atingido posições de destaque absolutamente imerecidas...
Essa de valorizar os especiais... mas especiais de quê?

Especiais foram todos aqueles que viveram em condições sub-humanas (como tenho visto na rubrica Bu...rakos...), que passaram fome, que nunca souberam o que era o bem-bom de poder assistir a uma sessão de cinema no UDIB, que desconheceram em absoluto o prazer do ar condicionado, das diversões de Bissau, que vegetaram - porque aquilo não era viver - durante meses e meses à mingua de tudo.
Esses é que foram especiais! Esses é que foram heróis sem medalhas, a larga maioria, mas honestos no esforço que deram ao país sem se aproveitarem dele como os muitos Almeidas Brunos que por aí cirandam.

Especiais foram os tais da tropa macaca (nunca percebi muito bem esta designação...) que todos os dias tinham contacto com o medo de mais um ataque e que aguentaram ganhando menos (outra irracionalidade evidenciada por quem comandava aquela guerra...).

Os especiais, de nome, iam uma vez ao objectivo e regressavam a Bissau ao copo, ao boteco, ao Pilão e às suas guerrinhas intestinas ora contra a PM ou uns contra os outros...

Os verdadeiros especiais (os outros todos...) aguentavam tudo e mais alguma coisa, desde algo a que se chamava abusivamente comida ou alimentação, mas que não reunia qualificação para tal, à falta de cuidados médicos (a minha Companhia por exemplo só viu o médico um dia, unzinho só em 760 de permanência na Guiné...)

Quem vivia no bem-bom de Bissau como os ditos especiais, mai-lo Bruno, podiam ter consultas no dentista, por exemplo.

onde elas cantavam, não podíamos parar a guerra para o fazer...


Não sendo propriamente um D. Quixote
em luta, onde Almeida Bruno é mote,
em ferro frio malho desde então...
não vendo ao meu redor já muita ajuda,
sem Sancho ou Rocinante que me acuda,
espero não ceder nesta missão...

Aceito o veredicto, de bom grado,
que o Zé Dinis entende seja dado
ao pobre rimador que ousa a poeta...
cautela devo ter não vá estalar
famoso adereço ocular
do homem já de idade bem provecta...


Um grande abraço.
Manuel Maia
__________

Nota de CV:

Vd. último poste da série de 18 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4373: Bandos... A frase, no mínimo infeliz, de um general (20): Continuando a quebrar o silêncio (Manuel Maia)

6 comentários:

Julio Vilar pereira Pinto disse...

Parabens Manuel Maia, és dos verdadeiros ESPECIAIS, concordo com tudo que dizes, é pena muita gente se sentir acomodado com a situação.
Um abraço
Júlio Pinto
Especial de Angola

Luís Dias disse...

Caro Camarada

A defesa cá do "Bando" e da "Tropa Macaca", está muito bem entregue. Caro Mai este teu último post é essencial. Concordo contigo. Nós os dos bura..kos, tanto podíamos ter um contacto à saída do quartel, como a 30 km. Não dormíamos descansados uma única noite, a não ser quando vergados pelo cansaço.Frescos por vezes não chegavam, água por vezes faltava, mas todas as semanas havia operações, acções, picagens, escolta a colunas e emboscadas nocturnas. Descanso.....só no regresso. Quem ajudava as populações? Quem lhes erguia as tabancas para o seu bem estar. Quem fazia as psico nos aldeamentos mais afastados. Quem eram os que estavam instalados nos "cus de Judas"?
Força Maia e um abraço

Luís Dias

Anónimo disse...

Ó Manel,
É com subida honra que me vejo promovido a génio inspirador de um dos nossos dilectos poetas. Pois que não te falte a rima.
Ousa, ousa sempre!
Um abraço
J.D.

Anónimo disse...

Manuel Maia
Como o José Dinis escreve (ia meter diz, mas suava mal) pois que não te falte a rima e acrescento e não te faleça o braço, para continuar a malhar no AB.
Não creio que seja por acomodação ou esquecimento, a falta de mais protestos, mas a verdade é que nem todos tem os mesmos dotes literários...para falar no assunto sempre de forma diferente.
São sempre bem vindas as tuas sextilhas.
AB
Jorge Picado

Anónimo disse...

Lá saiu um brutal erro. Suava em lugar de soava. É triste, mas são as contingências da hora tardia.
Paciência.
Jorge Picado

Santos Oliveira disse...

Acho que ao Jorge Picado lhe fugiu a palavra para a verdade.
Enquanto o Manuel Maia SUAVA por nos representar nesta cruzada de reposição das verdades e justiças, a nós, os demais, soava (e soa) a lassidão, o silêncio, o deixa correr.
...O homem até quer que o tempo passe e assim seja esquecida a "ingratidão" com que ele a todos brindou.
Se ele fosse clérigo, eu diria: quem quiser que vá á missa dele.

Abraços, do
Santos Oliveira