sexta-feira, 20 de abril de 2018

Guiné 61/74 - P18543: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXVII: o almoço-convívio da CCS/BCAÇ 1933, na Baixa da Banheira, Moita, em 2014: esteve fraco por ser longe e fora do contexto da malta do Norte.


Moita > Baixa da Banheira > 13 de setembro de 2014 >  Convívio do pessoal da CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)


Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Mensagem, de 22 de março último, de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69): vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado [, foto atual à direita]; tem mais de 4 dezenas de referências no nosso blogue.

Olá, Luís, bom dia.

Já agora,  aqui vai uma foto do almoço do meu Batalhão, em 2014. Estava fraco por ser longe e fora do contexto da malta do Norte.

Guiné 61/74 - P18542: Notas de leitura (1059): Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (31) (Mário Beja Santos)



1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 5 de Dezembro de 2017:

Queridos amigos,
É bem elucidativo este relatório do gerente do BNU referente a 1946: sempre o ouro em pó, a especulação enfrene, a vida difícil com a alta de preços, belíssimos negócios para certos comerciantes. Aproveita-se para recordar que estamos a falar na presença do BNU na Guiné.
O banco, como se recordam abriu a sua primeira agência em Bolama ao público em 1903. Tinha função emissora, chegou a funcionar como casa de penhores, ainda na década de 1920. Em 1917 entrou em funcionamento a agência de Bissau, logo bastante influente.
Além de casa de penhores, o BNU vendia produtos caso dos tabacos. O BNU sabia muito bem que era a produção agrícola e as oleaginosas que pesavam na economia da colónia, daí o cuidado posto nos relatórios quanto ao que se passava com o óleo, a mancarra e o coconote. O BNU ligar-se-á à Sociedade Comercial Ultramarina, até deter o seu capital e se lançar no campo das experiências agrícolas. O BNU desaparece com o Banco Nacional da Guiné-Bissau. Mas no ano de 1981 deu-se a abertura de um escritório de representação do BNU na República da Guiné-Bissau.
Mas o que aqui se analisa é o BNU inserido na malha colonial.

Um abraço do
Mário


Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (31)

Beja Santos

Há, na segunda metade da década de 1940, sérias lacunas, não constam alguns relatórios que podiam ser determinantes para acompanhar o processo desenvolvimentista que ocorreu na Guiné ao tempo de Sarmento Rodrigues. Processo esse que se refletiu na vida do BNU local. Procura-se então encontrar dados complementares sobre a vida da colónia. O Anuário da Guiné de 1946, coordenado por Fausto Duarte, fala-nos das realizações alusivas ao V Centenário do Descobrimento da Guiné. Vale a pena mexer ao pormenor: fizeram-se obras de reconstrução na Fortaleza de S. José de Bissau, benfeitorias no quartel de Bissau e Bolama, diz-se explicitamente que houve um primeiro fornecimento de calçado e talheres aos soldados indígenas, aumentaram as rações dos soldados, apareceu a Banda Militar; construíram-se faróis, houve fornecimento de armamento e transportes ao Corpo da Polícia; o serviço de águas, de saúde e da agricultura ampliaram-se de forma impressionante; houve obras em Bissau, pavimentaram-se artérias, melhorou-se o mercado municipal, o porto de Bissau, prolongou-se o cais do Pidjiquiti, retomou-se a construção do Palácio do Governo, reconstruiu-se o Palácio de Bolama; a cultura deu um salto, pois criou-se o Centro de Estudos da Guiné Portuguesa, o Boletim Cultural, o Anuário da Guiné, foi criada a Missão Antropológica da Guiné, iniciou-se a instalação do Museu da Guiné; organizaram-se as comemorações do V Centenário da Descoberta, que culminaram com uma exposição em Bissau; e Rui de Sá Carneiro, o subsecretário das Colónias visitou oficialmente a Guiné.

Estes eventos tinham obviamente um pano de fundo novo, no decurso da II Guerra Mundial foram tomadas posições que previam uma vaga descolonizadora, que efetivamente começou na Ásia e iria alastrar a África. Em “Contra o Vento”, por Valentim Alexandre, Círculo de Leitores e Temas e Debates, 2017, o historiador explana sobre as alterações que se deram no Norte de África e no próximo Oriente e tece o quadro do se passou na África subsariana:
“Só marginalmente foi palco de operações militares – na Etiópia, de onde as forças britânicas expulsaram as italianas; em Madagáscar, que tropas anglo-sul-africanas tomaram em Novembro de 1942, integrando-a na França Livre gaullista; e na Somália Francesa, ocupada pelos Aliados em 1943. O resto do Continente Negro não deixou de se ver envolvido no conflito militar mundial, nomeadamente pelo recrutamento de várias centenas de milhares de homens, enviados a combater na Europa, no Norte de África ou na Ásia, em nome da França e da Grã-Bretanha. Várias cidades em África – Cairo, Dacar, Lagos, Freetown e Cidade do Cabo, entre outras – serviram de pontos de apoio militar, pela utilização dos seus portos ou aeródromos, enquanto territórios como o Chade funcionaram como placas giratórias dos exércitos aliados que iam combater a Norte do Sara. Mas o maior impacto foi de ordem económica, afectando todo o continente. Numa primeira fase, a guerra, com os bloqueios marítimos e a falta de meios de transporte que provocou, contribuiu para fragilizar vastos setores, dependentes de mercados agora fechados ou inatingíveis, no mesmo passo que dificultou as importações, criando inflação. A partir de 1941-1942, o esforço bélico das potências europeias e dos Estados Unidos levou a um aumento drástico da procura tanto de bens de subsistência como de minérios essenciais ao fabrico de armamento. Para acorrer a essa procura, as administrações europeias reforçaram, as pressões sobre a população africana, impondo preços, reconversões coercivas de produção, e recorrendo às formas mais gravosas de exploração – trabalho forçado, culturas obrigatórias –, agora impostas em nome da necessidade imperiosa de vencer o inimigo (…) Um dos aspectos mais relevantes das mutações induzidas na África Negra pela II Guerra Mundial está no impulso dado à urbanização, que criou ou alargou um quadro propício à geração de novas formas de sociabilidade e de identidade, favoráveis ao enraizamento dos nacionalismos”.

Por isso se pode entender o que se escreve no relatório de 1946:
“Numa maneira geral, o comércio da Guiné tem feito bom negócio. Os comerciantes de Bissau, do ramo mercearias e fazendas devem estar cheios de dinheiro. Vendem a maior parte dos artigos por preços altíssimos e ninguém melhor do que nós pode ver a que ponto chegam estes abusos de altos preços, pois nos passa pelas mãos grande parte das facturas relativas às importações.
No ramo das ferragens e artigos para automóveis, é uma verdadeira loucura a falta de escrúpulos. Peças e artigos que aparecem na casa do comerciante por dois ou três escudos e são vendidos a trinta e quarenta. Há autoridades que podiam e deviam vigiar estes factos, mas facto é que não se vê nada feito e assim se torna cada vez mais difícil a vida dos que vivem, apenas, dos vencimentos”.


E a análise deriva para o estado do mercado, compreensivelmente o que se passa na agricultura é o dado relevante:
“As campanhas do arroz e da mancarra, feitas simultaneamente, correm como é costume. Mais normalmente a campanha do arroz. Destrambelhadamente a da mancarra. Fixam-se cotações oficiais para compra ao indígena. Sabem-se as cotações, pouco mais ou menos, porque será paga no exterior. Mas estas duas bases não servem para nada. Cada um se lança a comprar o mais que pode e assim se vão alterando os preços, na esperança de que as cotações do exterior venham a subir e a cobrir os disparatados preços locais. Uma verdadeira lotaria.
A Casa Gouveia, que podia ser uma reguladora de preços, transforma-se numa verdadeira desreguladora. Mal administrada, apesar de vir um inspector ajudar a gerência local, na época da campanha, não faz se não desequilibrar tudo e acaba por fazer a triste figura de comprar muito menos que os outros. Os sírios, com a rede das suas 120 casas espalhadas pela colónia, absorvem a maior parte da colheita, pagando bem, o que podem fazer melhor que os outros porque têm uma organização baratíssima e por estarem cheios de mercadorias bem escolhidas que vendem em grande escala. Ganham bem nas mercadorias e, neste ganho pode bem caber sem lhes fazer diferença de maior o que pagam a mais pela mancarra. No fim, enquanto se não exportar, vendem-na a quem mais lhe der – e a dar mais tem aparecido a Casa Ed. Guedes Lda.

Todos lutam para exportar mancarra para o estrangeiro, que paga melhor que a metrópole. É provável que, nestes tempos de miséria, o estrangeiro aceite tudo e pague tudo. Mas, se houver o rigor de outros tempos sobre a qualidade e limpeza da mancarra, bem maus bocados podem surgir, pois a nossa mancarra é embarcada num estado lamentável de impureza e sujidade de toda a ordem, isto sem falar em qualidade.
A loucura do comércio é de tal ordem que ninguém usa, nem quer usar, as tararas onde a mancarra era limpa de cascas, terras e pedras, antes de ir à balança e ser paga. Assim, conscientemente, o comerciante paga aquelas sujidades por mancarra boa, talvez porque está certo de a embarcar no mesmo estado e de lhe pagarem sem discussão. É claro, o exportador que vai buscar a mancarra ao interior já se não livra das quebras próprias o transporte, cargas e descargas, pois nestas andanças vai perdendo o peso da terra que se vai em poeira ou se deposita no fundo dos barcos ou no chão dos ‘cercos’ e dos armazéns.
Nos territórios vizinhos, cada vez é maior o cuidado com a selecção de sementes, qualidade e limpeza do produto a exportar. Nós não damos valor, ao que se vê, a esses cuidados que, em nosso modesto entender tanto valor têm e sob todos os aspectos”.

Anuário da Guiné Portuguesa, 1946

Finda a análise da praça, o gerente passa em revista a situação dos clientes e não se pode resistir a transcrever o que ele escreves sobre, Rezendes, Irmãos:
“Formada por Izaias Mata-Mouros Rezende da Costa e Alberto Mata-Mouros da Costa. O capital é de cem contos, em partes iguais. Só o sócio Izaias vive em Bissau, onde a firma ocupa o estabelecimento da antiga firma alemã Sociedade Ringel, Lda. O sócio Alberto, não sabemos o que faz em Lisboa. Izaias foi empregado da Casa Gouveia, em Canchungo. Houve qualquer coisa com ele, endoideceu e foi para Lisboa, de onde voltou comerciante. Não deve ter capital. Trabalha em comissões e consignações e é arrojado. Como nunca teve fama de grande equilíbrio, pelo que estamos vendo, é natural que ainda venha a criar alguma má situação aos que confiem no seu palavreado, e este costuma ser muito”.

E mais uma vez o gerente volta a falar no ouro em pó:
“Os negócios com o Senegal fraquejaram muitíssimo. Mantém-se, porém, sobretudo na região de Bafatá, os negócios clandestinos sobre o ouro em pó, trazidos pelos djilas do território francês. Este negócio movimenta milhões de francos pois não se faz na nossa moeda. O djila precisa de francos para ir comprar mais ouro. Assim, só paga o que compra no nosso território com francos senegaleses, os comerciantes aceitam bem para pagarem o ouro. Nos últimos anos da guerra, o ouro em pó vendeu-se à razão de 13 a 20 contos por quilo. Hoje o preço do quilo regula por 23 a 24 contos”.

Há agora um sumiço de relatórios, voltaremos a dispor de documentação a partir de 1949.

(Continua)
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Notas do editor:

Poste anterior de 13 DE ABRIL DE 2018 > Guiné 61/74 - P18519: Notas de leitura (1057): Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (30) (Mário Beja Santos)

Último poste da série de 16 DE ABRIL DE 2018 > Guiné 61/74 - P18527: Notas de leitura (1058): “Memórias da minha guerra colonial”, de João Matos Lourenço Rosa; edição de autor de 2009 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P18541: Convívios (850): A Tabanca de Matosinhos, que está a ter problemas com o "senhorio" (...o Faceboook), continua a fazer gala da sua proverbial alegria, boa disposição e melhor mesa... O próximo encontro semanal, 4ª feira, 25 de Abril, Dia da Liberdade, será em Vila do Conde (José Teixeira)


Matosinhos > Tabanca Pequena > Restaurante Espigueiro [ex-Milho Rei]  > Convívio semanal > 18 de abril de 2018. Foto: cortesia de José Teixeira (2018).


1. A TABANCA DE MATOSINHOS PERDEU O PIO, escreveu, no dia 18 do corrente,  o régulo, José Teixeira na na sua página pessoal do Facebook. E acrescenta:

O F. B. [ Facebook] fechou as portas à Tabanca de Matosinhos Tertúlia, que fazer? Romper barreiras.
Aqui estamos a dar notícias do nosso encontro de 18 de Abril.

O ENCONTRO SEMANAL de antigos combatentes da Guiné, no Restaurante Espigueiro [ex-Milho Rei ] em Matosinhos, na Rua Heróis de França, nº 721,  teve neste dia 24 convivas. Tivemos o prazer de ter à mesa connosco quatro amigos da Guiné-Bissau que, não sendo combatentes,  admiram aquele povo.

Como é nosso timbre, houve alegria, boa disposição e boa mesa. Caras de gente que está todas as semanas, outros que vem quando podem, ou quando sentem necessidade de "meter" combustível, ou seja conviver, conversar, partilhar, desabafar.

Todos são bem vindos.

Na próxima semana,  a quarta feira é o dia da Liberdade - 25 de Abril. Por decisão tomada hoje, pelos presentes,  o convívio semanal da Tabanca de Matosinhos será em Vila do Conde, onde o Leite Rodrigues irá discursar nas Comemorações do Dia da Liberdade. O ponto de encontro é às 9.30 no Centro Hípico de Leça da Palmeira.

Está toda a gente convidada.

Guiné 61/74 - P18540: Parabéns a você (1423): António Joaquim Oliveira, ex-1.º Cabo Quarteleiro da CART 1742 (Guiné, 1967/69)

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Nota do editor

Último poste da série de 19 de Abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18535: Parabéns a você (1422): Augusto Vilaça, ex-Fur Mil Art da CART 1692 (Guiné, 1967/69); Leão Varela, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 1566 (Guiné, 1966/68)e Victor Barata, ex-1.º Cabo Especialista MMA - DO 27 da BA 12 (Guiné, 1971/73)

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Guiné 61/74 - P18539: XIII Encontro Nacional da Tabanca Grande (6): Setenta por cento do total de inscritos até ontem (n=89), são oriundos, tal como nos outros anos, da Grande Lisboa e do Grande Porto... Mas também, temos representantes da região Centro (24%) e até da(s) periferia(s) (6%)...Camaradas e amigos, o prazo termina no fim do mês ou vai até ao limite dos 200 lugares... Não deixes para o fim a tua inscrição...





Nº provisório de inscrições no XIII Encontro Nacional da Tabanca Grande (Leiria. Monte Real, 5 de maio de 2018), à data de hoje, por região

Infografias: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2018)





















VII Encontro Nacional da Tabanca Grande > Monte Real > Palace Hotel > 21 de Abril de 2012 > Fotogaleria

Fonte: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2012)


LISTA DOS PRIMEIROS 89 INSCRITOS NO XIII ENCONTRO NACIONAL DA TABANCA GRANDE,
MONTE REAL,  5 DE MAIO DE 2018 

Abel Santos - Leça da Palmeira / Matosinhos 
António Acílio Azevedo & Irene - Leça da Palmeira / Matosinhos 

António Bonito - Carapinheira / Montemor-o-Velho 

António João Sampaio e Maria Clara - Leça da Palmeira / Matosinhos 

António Joaquim Alves - Malveira / Mafra 

António José Pereira da Costa & Isabel - Mem Martins 

António Maria Silva e Maria de Lurdes - Sintra 

António Mário Leitão - Ponte de Lima 
António Martins de Matos - Lisboa 
António Mendes - Carapinheira / Montemor-o-Velho 
António Pimenta - Carapinheira / Montemor-o-Velho 
António Tavares - Foz do Douro / Porto 
Armando Oliveira - Vila Nova de Gaia 
Armando Pires - Algés / Oeiras 

Carlos Cabral & Judite - Pampilhosa 
Carlos Cruz, Irene, Paulo, Ana Cristina e Pedro - Lisboa 
Carlos Pinheiro - Torres Novas 
Carlos Vinhal & Dina Vinhal - Leça da Palmeira / Matosinhos 

David Guimarães & Lígia - Espinho 
Diamantino Ferreira e Emília - Leiria 

Ernestino Caniço - Tomar 

Hernâni Alves da Silva & Branca - Vila Nova de Gaia 

Idálio Reis - Sete-Fontes / Cantanhede 
Isolino Silva Gomes e Júlia - Porto 

Joaquim Carlos Peixoto e Margarida - Penafiel 
Joaquim Mendes Teixeira e Maria Emília - Guilhabreu / Vila do Conde 
Joaquim Mexia Alves - Monte Real / Leiria 
Jorge Araújo e Maria João - Almada 
Jorge Canhão & Maria de Lurdes - Oeiras 
Jorge Picado - Ílhavo 
Jorge Pinto & Ana - Sintra 
Jorge Rosales - Monte Estoril / Cascais 
Jorge Teixeira - Porto 
José Almeida e Maria Antónia - Viana do Castelo 
José Barros Rocha - Penafiel 
José Casimiro Carvalho - Maia 
José Ferreira - Crestuma / Vila Nova de Gaia 
José Miguel Louro - Lisboa 
José Saúde - Beja 
Juvenal Amado - Amadora 

Luís Graça & Alice Carneiro - Lourinhã 
Luís Moreira & Irene - Sintra 
Luís Paulino & Maria da Cruz - Algés / Oeiras 
Luís Rainha & Dulce - Figueira da Foz 

Manuel Augusto Reis - Aveiro 
Manuel Guilherme - Vila Nova de Gaia 
Manuel Joaquim e José Manuel Cunté - Lisboa 
Manuel José Ribeiro Agostinho & Elisabete - Leça da Palmeira / Matosinhos 
Manuel Lima Santos & Maria de Fátima - Viseu 
Manuel Santos - Vila Nova de Gaia 
Mário Magalhães & Fernanda - Sintra 
Mário Vitorino Gaspar - Lisboa 
Miguel Pessoa & Giselda Pessoa - Lisboa 

Ricardo Abreu - Vila Nova de Gaia 
Ricardo Figueiredo - Porto 

Silvino Correia d'Oliveira - Leiria 

Urbano Martins Oliveira - Figueira da Foz 

Virgínio Briote & Maria Irene - Lisboa 

Xico Allen- Vila Nova de Gaia.


Lista provisória de inscritos até ontem à noite. A abertura de inscrições começou em 21 de março passado. O prazo vai até ao fim do corrente mês  (ou até ao limite dos 200 lugares da sala Dom Dinis do Palace Hotel Monte Real).

Preço e processo de inscrição: vd. primeiro poste da comissão organizadora (**).
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Notas do editor:


Guiné 61/74 - P18538: Recortes de imprensa (94): Herança da guerra (Sílvia Torres, "Diário de Coimbra", 23 de março de 2018)



Diário de Coimbra, sexta.feira, 23 de março de 2018, p. 9. (Cortesia da autora e do jornal)



1. Recorte enviado em formato pdf pela nossa amiga, grã-tabanqueira nº 736, Sílvia Torres. Reproduzido com a devida vénia. Fonte: Diário de Coimbra, 23 de março de 2018, p. 9. (*)

Pequena nota biográfica:

(i) Sílvia Torres nasceu em Mogofores, Anadia, em 1982;

(ii) licenciada em Jornalismo e Comunicação e mestre em Jornalismo;

(iii) começou por ser jornalista do Diário de Coimbra;

(iv) entre 2007 e 2014, como oficial da Força Aérea Portuguesa, trabalhou na Rádio Lajes (Terceira – Açores) e no Centro de Recrutamento da Força Aérea (Lisboa), cumprindo ainda uma missão de
cooperação técnico-militar em Timor-Leste;

(v) atualmente é doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade NOVA de Lisboa e bolseira de investigação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT);

(vii) a sua pesquisa centra-se na cobertura jornalística da Guerra Colonial feita pela imprensa portuguesa de Angola, da Guiné Portuguesa e de Moçambique, entre 1961 e 1974;

(viii) o facto de ser filha de um ex-combatente justifica o interesse pessoal e académico pelo conflito.

Guiné 61/74 - P18537: O Cancioneiro da Nossa Guerra (7): "Marcha de Regresso" (Recolha de Mário Gaspar, ex-fur mil at art, MA, CART 1659, "Zorba", Gadamael e Ganturé, 1967/ 68)



Brasão da CART 1659, "Zorba" (Gadamael e Ganturé, 1967/68). Divisa; "Os Homens Não Morrem".




Lisboa > Belém > Forte do Bom Sucesso > Liga dos Combatentes > 22 de maio de 2014 > 17h30 > Sessão de lançamento do livro do nosso camarada Mário Gaspar, "Corredor da Morte", edição de autor, 2014 > Sessão presidida pelo gen ref Chito Rodrigues, presidente da direção da Liga dos Combatenrtes, com a participação ainda do psiquitra Afonso de Albuquerque (que prefaciou a obra), da prof Ermelinda Caetano, do presidente da APOIAR, Jorge Gouve

"Nesta foto, estou a autografar o livro do capitão [, hoje, advogado,  Manuel Francisco Fernandes de Mansilha,] que fala com o 1.º cabo cripto Mendes, o autor dos versos "Os Homens Não Morrem".1O ex-1.º cabo cripto António Luís Faria Mendes foi funcionário da Ordem dos Médicos na cidade do Porto."


Fotos (e legendas) : © Mário Gaspar (2014). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Marcha de Regresso


Rapazes, cantai cantigas,
Alegres e animadas,
Acabaram-se as fadigas
Das patrulhas e emboscadas.

Bravos rapazes da ZORBA,
Dispostos a trabalhar,
Sejam barcos ou colunas,
É sempre, sempre, a alinhar.

Viemos para a Guiné,
Prontos a combater,
Pica, estiva e sapa até,
Tudo soubemos fazer.

Ao partirmos com saudades…
A saudade é uma mulher,
Que tenha felicidades
Quem depois de nós vier.

CORO

Cá vai a malta da ZORBA,
Toda alegre e sorridente,
Alegria não nos falta,
Que a tristeza mata a gente.
Cá a vai a malta da ZORBA...
Corações cheios de fé,
Depois da missão cumprida,
Gadamael – Ganturé,
Situadas lá no sul,
Da província da Guiné.


Ao regressarmos a casa,
Para nós a vida muda,
O cântaro perde a asa,
Nós ganhamos a peluda.

Já vai chegando o momento
De à Guiné dizer adeus,
De acabar o sofrimento,
Voltar a abraçar os meus.

Mais de vinte meses é vitória,
A ZORBA é das primeiras
E vai constar da história
Lá no RAC, em Oeiras.

A ZORBA cumpriu o seu dever
E seu nome deixou gravado,
Nunca a iremos esquecer,
Honra ser-se seu soldado.

(Recolha de Mário Gaspar, ex-fur mil at art, MA, CART 1659, "Zorba", Gadamael e Ganturé, 1967/ 68)

[Revisão / fixação de texto: MG / LG]


Mensagem, de 17 do corrente, de Mário Gaspar

Luís,

Tenho imensos textos da minha autoria, escritos após o regresso, principalmente aqueles que publiquei no meu livro “O Corredor da Morte” [edição de autor, 2014]. No mesmo livro também constam versos que escrevi em Gadamael Porto para um grande amigo (nalguns casos possuo os aerogramas e cartas). Estes versos possuem a curiosidade de estarem virgens – publiquei-os sem os rever – transmitem o meu estado de espírito da altura.

Ainda existem os versos da autoria da prima da minha falecida mãe, de nome Piedade, que a mesma ofereceu, feitos numa Gráfica Tipografia,  aos convidados (amigos e familiares) no dia do meu regresso a casa, na festa que os meus pais organizaram.

Também os versos da “Marcha do Regresso” da “ZORBA”, que agora junto, Estes foram escritos por vários autores.

Os versos recolhidos no almoço, de 2015, da CART 1659, ZORBA,  “Os Homens não Morrem”, são de António Luís Faria Mendes,  ex-1.º Cabo Operador Cripto, que não esteve nessee  almoço de confraternização.(*)

Julgo não teres dúvidas. Como disse inicialmente,  escrevi muitos versos posteriormente à chegada. Alguns, nunca os publiquei, outros foram lidos em tertúlias de poesia, onde esteve a minha grande amiga Felismina Mealha, membro da nossa Tabanca Grande, tendo ela lido alguns.

Envio, talvez o principal. Como disse,  escrevi já após o regresso da Guiné alguns versos - denomino-os como "POÉSIAS". Possuem o inconveniente de serem longos. Se tiveres dúvidas diz.

Um abraço, Mário Vitorino Gaspar

PS - Lá em Gadamael, criámos  um conjunto musical denominado “Os Caveiras” cujos instrumentos tinham a particularidade de serem feitos com chapa de bidão, peles de cabra de mato, marmitas, colheres, etc. e quase sempre animou os almoços de confraternização realizados mensalmente entre todo o pessoal da Companhia.

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Guiné 61/74 - P18536: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (54): no tempo em que havia uma irmandade 'intercolonial' e um cabo-verdiano, um são-tomense ou um goês se sentia em casa num país como Angola

1. Comentário do nosso amigo e camarada  António Rosinha, a propósito da Amédia Araújo hoje uma senhora de oitenta e tal anos, que vive em Cabo Verde, que foi caaada com o dirigente do PAIGC, José Araújo, e que era conhecida, no TO da Guiné, pelas NT, como a "Maria Turra",  ou seja, era a locutora de serviço da "Rádio Libertação", que emitia a partir de Conacri (*)

[António Rosinha, foto à esquerda, 2007, Pombal, II Encontro Nacional da Tabanca Grande:

(i) beirão, tem mais de 100 referência no nosso blogue;

(ii) é um dos nossos 'mais velhos' e continua ativo, com maior ou menor regularidade, a participar no nosso blogue, como como autor e comentador;

(iii) andou por Angola, nas décadas de 50/60/70, do século passado;

(iv) fez o serviço militar em Angola, sendo  fur mil, em 1961/62;

(v) diz que foi 'colon' até 1974 e continua a considerar-se um impenitente 'reacionário';

(vi) 'retornado', andou por aí (, com passagem pelo Brasil), até ir conhecer a 'pátria de Cabral', a Guiné-Bissau, onde foi 'cooperante', tendo trabalhado largos anos (1987/93) como topógrafo da TECNIL, a empresa que abriu todas ou quase todas as estradas que conhecemos na Guiné, antes e depois da 'independência';

(vii) o seu patrão, o dono da TECNIL, era o velho africanista Ramiro Sobral;

(viii) é colunista do nosso blogue com a série 'Caderno de notas de um mais velho'';

(ix) pelo seu bom senso, sabedoria, sensibilidade, perspicácia, cultura e memória africanistas, é merecedor do apreço e elogio de muitos camaradas nossos, é profundamente estimado e respeitado na nossa Tabanca Grande, fazendo gala de ser 'politicamente incorreto' e de 'chamar os bois pelos cornos';

(x) ao  Antº Rosinha poderá aplicar-se o provérbio africano, há tempos aqui citado pelo Cherno Baldé, o "menino e moço de Fajonquito": "Aquilo que uma criança consegue ver de longe, empoleirado em cima de um poilão, o velho já o sabia, sentado em baixo da árvore a fumar o seu cachimbo". ]


2. Caderno de notas de uma mais velho > A irmandade 'inter-colonila' (**)


Como esta senhora do PAIGC, havia muitos cabo-verdianos em Angola em que, tal como na Guiné, em todas as repartições e em todas as capitais de distrito, sobressaía a sua presença.

Vou dizer uma coisa que muita gente pode não acreditar e considerar tolice minha:

Quando Amílcar Cabral na fundação do PAIGC, se torna simultaneamente co-fundador do MPLA, havia um sentimento de irmandade entre todos os que foram estudantes da "Casa do Império" de todas as colónias portuguesas, que hoje já não existe mais, e hoje já não existe mais essa irmandade.

Embora apoiem todos a CPLP, e os dirigentes todos falem português, nota-se que há indiferença entre eles.

No tempo colonial, um cabo-verdiano, um  são-tomense ou um goês, que eram os que mais emigravam, iam para Angola ou Moçambique ou Guiné, co-habitavam e conviviam naturalmente como se nunca tivessem ido para terra estranha.

Daí, Amilcar Cabral ou os irmãos Pinto de Andrade por exemplo, relacionarem-se com todos os dirigentes angolanos ou guineenses como se fossem patrícios uns dos outros.

Acabou esse relacionamento, e até se nota em alguns casos, como no caso da Guiné, desentendimentos com angolanos e cabo-verdianos.

E com Moçambique há um maior  distanciamento, o que se nota perfeitamente.

Esse relacionamento "inter-colonial» era muito interessante, mas só essa gente tropical é que a poderia explicar melhor, mas não explicam.

Uns morreram, outros "matarm-se" [uns aos outros], e a maioria foi inibida de poder falar.

Cumprimentos

Antº Roxinha

2 de dezembro de 2015 às 15:42  (*)


3.  Sobre a "Maria Turra", alcunha de Amélia Sanches Araújo, dada pelos "tugas", no TO da Guiné à locutora da Rádio Libetarção , e que muitos pensavam ser a própria companheira de Amílcar Cabral, a Ana Cabral:

Amélia Sanches Araújo [tem uma dezena de referências no nosso blogue como "Maria Turra"]

(i) nasceu em Luanda, sendo de origem cabo-verdiana;

(ii) era casada com José Araújo (1933-1992), antigo dirigente do PAIGC e antigo ministro da Educação de Cabo Verde; 

(iii) fugiu, em Lisboa, em 1961,  com um grupo de cerca de 6 dezenas de "estudantes do Império", onde estavam os futuros  presidentes de Cabo Verde, Pedro Pires, e de Moçambique, Joaquim Chissano, e futuros -primeiros-ministros de Angola e Moçambique Fernando Van Dunen e Pascoal Mocumbi;

(iv) na  Guiné esteve com o marido, na "luta de libertação" daquele país e de Cabo Verde;

(v) o seu m papel de `heroína` só agora começa ser  reconhecido em Cabo Verde, onde vive com 84 anos de idade;

 (vi) em Conacri e ao serviço do PAIGC,  era locutora e a voz mais conhecida das emissões em português da Rádio Libertação, do PAICG, partido do qual o marido era dirigente e responsável pela área de informação.

(vii) em declarações à agência Lusa, em 2017,  mais de 40 anos após as independências, Amélia Araújo disse que «valeu a pena» a luta armada, apesar do seu inicial cepticismo em relação a Cabo Verde;

(vii) o casal regressari a Cabo Verde em 1980, após o golpe de Estado liderado por 'Nino' Vieira.

Fonte: Adapt de Observatório de África > 19 de janeiro de 2017 > Mulheres cabo-verdianas na luta pela independência
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Notas do editor

(...) Um dos episódios recentes deste programa da Antena Um foi justamente sobre a Rádio Libertação, o seu papel, na propaganda e contrapropaganda do PAICG. Não se pode fazer a história desta rádio sem falar da "Maria Turra", a angolana, de origem cabo-verdiana, Amélia Sanches Araújo, que lhe deu voz e alma de 1967 a 1974... Aderiu ao PAIGC em janeiro de 1964. Com mais quatro guineenses, a Amélia Arújo foi enviada por Amílcar Cabral para uma formação de nove meses na União Soviética. Em maio de 1967 a União Soviética entrega ao PAIGC, através do seu embaixador em Conacri, uma estação de rádio. (...)

(**) Último poste da série > 4 de novembro de 2017  > Guiné 61/74 - P17935: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (53): Os "comerciantes" e os "outros"... Lá, em Angola, Guiné e Moçambique, muitas vezes mais valia um ano de tarimba do que dez de Coimbra...

Guiné 61/74 - P18535: Parabéns a você (1422): Augusto Vilaça, ex-Fur Mil Art da CART 1692 (Guiné, 1967/69); Leão Varela, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 1566 (Guiné, 1966/68)e Victor Barata, ex-1.º Cabo Especialista MMA - DO 27 da BA 12 (Guiné, 1971/73)



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Nota do editor

Último poste da série de 18 de Abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18532: Parabéns a você (1421): Raul Brás, ex-Soldado Condutor Auto da CCAÇ 2381 (Guiné, 1968/70)

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Guiné 61/74 - P18534: Historiografia da presença portuguesa em África (112): Imagens e relatórios dos actos de vandalismo praticados pelo MLG, na Praia de Varela, em Julho de 1961, encontrados no acervo documental do Banco Nacional Ultramarino (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 19 de Janeiro de 2018::

Queridos amigos,
São estes os felizes acasos que gratificam as horas a folhear inúmeros dossiês, cujo conteúdo, em tantíssimos casos, é inodoro, insípido e incolor. E assim se chegou ao vandalismo perpetrado pelo MLG - Movimento de Libertação da Guiné, capitaneado por François Mendy, seguramente figura anda simpática para Amílcar Cabral, conforme o comunicado de Novembro 1963, que também se apensa com a documentação trocada sobre estas destruições.
Atenda-se que os responsáveis do BNU na Guiné procuravam as melhores fontes, estou presentemente a analisar o desencadear das hostilidades por parte do PAIGC e as preciosas informações que o gerente de Bissau envia para Lisboa, não hesito em dizer que se trata de uma documentação de estalo.

Um abraço do
Mário


Julho de 1961: o MLG pratica vandalismo na praia de Varela

Beja Santos 

A primeira grande manifestação de práticas subversivas na Guiné teve lugar em Julho de 1961, com ações em S. Domingos, Susana e Varela, era o primeiro sinal de organizações armadas, sediadas no Senegal. O PAIGC está ainda em fase de preparativos, Cabral enviou um lote de quadros para a China, a propaganda e subversão será desencadeada no Sul, em 1962.

Foi no acervo documental do Arquivo Histórico do BNU que encontrei imagens desse vandalismo em Varela, onde o BNU era proprietário de duas casas de férias. Todo o processo da aquisição das duas moradias está perfeitamente identificado. Em Agosto de 1961, Castro Fernandes, um dos administradores do BNU e figura proeminente do Estado Novo, visita Varela e escreve que “As casas do Banco foram pilhadas de todo o seu cheio recheio, e partidos os vidros e objectos sanitários. Os edifícios nada sofreram, havendo, apenas, que limpá-los e, porventura, pintá-los. Nada deverá ser feito sem que o governo da Província possa assegurar o policiamento militar daquela estância de repouso. Logo que esta cobertura militar for feita, a gerência providenciará no sentido de reparar o que haja de ser reparado e promoverá para que fiquem mobilados como estavam. Quando a defesa e policiamento da praia for feita, autorizo que seja entregue ao governador da Província um subsídio de 100 contos destinado a contribuir para as reparações no edifício do hotel e arranjos urbanísticos”.

A situação irá normalizar-se em Março de 1962, já há cobertura militar. O gerente desloca-se a Varela depois de obter autorização no comando militar e informa Lisboa do seguinte:
“Encontra-se ali um pelotão de 30 homens comandados por um alferes. Não nos parece, na nossa rápida estadia, que reinasse ali uma grande disciplina. Deve-se isso, talvez, ao facto de estarem isolados e viverem durante largo tempo em comum, e comandados por um rapaz ainda bastante novo.
As tropas estão alojadas na antiga residência de Verão do governador da Província, e ainda no antigo hotel que ali havia pertencente a João Manuel Pireza que tudo perdeu, e, está agora em Bissau, explorando um hotel. O aspeto daquilo tudo, que antes era praia com alguma concorrência, até de franceses que vinham do território vizinho, é bastante desolador. Houve vandalismo puro. Além de terem roubado o que encontraram, espatifaram os interiores das casas que lá existiam, e ainda o que é mais grave com a conivência daquelas que lá viviam e serviam há longos anos.

As casas do banco conservam as paredes exteriores e interiores em razoável estado. Os armários interiores, vidros, instalações elétricas, tudo está partido e estragado. Os quadros elétricos também desapareceram. Os lavatórios foram roubados, alguns dos outros artigos sanitários estão partidos. Faz pena tanta desolação.
Também nos surpreendeu não haver lá qualquer vedeta ou lancha, como parece ter havido anteriormente e intercepte os barcos que navegam afoitamente nas nossas águas muito perto à praia. Alguns militares com quem falámos sobre isso disseram-nos desconfiar levarem armamentos que descarregam perto em Catão. Esta nossa observação foi posta numa conversa que tivemos com o chefe dos serviços secretos militares com quem quase todos os dias nos encontramos. Ficou pensativo mas nada nos disse. Não nos admirou o silêncio. Faz parte da sua missão.
Para V. Exas. poderem melhor apreciar os actos de malvadez e vandalismo que sofreram as casas do banco, cuja construção presidiu a óptima ideia de proporcionar ao pessoal umas férias confortáveis e repousantes depois de um ano de labuta, junto remetemos 11 fotografias tiradas pelo gerente da Filial".




As 11 fotografias que encontrei no arquivo não estão em bom estado, reproduzem-se aqui talvez as três melhores e que permitem visualizar a pilhagem e destruição que por ali andou.




Num outro dossiê encontrei referência a François Mendy, o dirigente do MLG que andou envolvido nessas façanhas. Trata-se de um comunicado do PAIGC com data de 15 de Novembro de 1963 em que Amílcar Cabral adverte que fora criado em França uma organização destinada a angariar fundos junto dos africanos O fundador do PAIGC alerta para a ladroeira a que estavam a ser vítimas por parte de François Mendy, um vigarista encartado. E assim termina: “Cuidado com os ladrões e traidores que aproveitando a vossa boa-fé vos rouba, assim como ao nosso Partido. Fora com os ladrões da espécie do François Mendy".

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Nota do editor

Último poste da série de 7 DE MARÇO DE 2018 > Guiné 61/74 - P18388: Historiografia da presença portuguesa em África (111): Um estudo desconhecido sobre a etnia Manjaca em O Mundo Português, por Edmundo Correia Lopes (2) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P18533: (D)outro lado do combate (27): A mobilidade das populações por efeito da guerra: o caso de Quitafine, com 41 tabancas que foram riscadas do mapa (ou cuja população foi deslocada), segundo relatório de cabo-verdiano, comissário político, José Araújo (1933-1992), casado com a Amélia Araújo, a nossa "Maria Turra" (Jorge Araújo)


Citação: Mikko Pyhälä (1970-1971), "José Araújo e Nino Vieira" [dois cérebros da guerra, sendo o primeiro, cabo-verdiano, com formação universitária portuguesa], CasaComum.org, Disponível HTTP: http://www.casacomum.org/cc/ visualizador?pasta=11025.008.026 (2018-4-13) [ Fonte:  Fundação Mário Soares > Casa Comum >Arquivo Amilcar Cabral...com a devida vénia]



O nosso coeditor Jorge Alves Araújo, ex-Fur Mil Op Esp/Ranger, CART 3494  
(Xime-Mansambo, 1972/1974).


Mensagem do nosso editor, Jorge Araújo, com data de 13 do corrente:

Caro Luís, boa tarde.

Perdi a cabeça... numa 6.ª feira, treze.

Fiz mais um texto... deixando para trás outros mais antigos... é a vida!

No final do documento coloquei mais três fotos para, caso entendas escolher alguma, ou todas, as poderes utilizar.

Até breve. Bom fim-de-semana.


Ab. Jorge Araújo.

GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE > A FISIONOMIA HUMANA NO SECTOR DE QUITAFINE [FRENTE SUL] APRESENTADA POR JOSÉ ARAÚJO À DIRECÇÃO DO PAIGC EM RELATÓRIO DATADO DE 16OUT1971: A MOBILIDADE DAS POPULAÇÕES POR EFEITO DA GUERRA 


1.  INTRODUÇÃO



Porque tudo na vida é processo e projecto, conceitos que se reformulam na dialética "ordem / desordem" para dar lugar a uma nova "ordem", apresento hoje no fórum mais um tema novo, se a memória e a investigação não me atraiçoam, este relacionado com a "mobilidade das populações da Guiné, do nosso tempo, por efeito da guerra". (*)

É que, de facto, o comportamento psicossocial das populações no início do conflito ficou marcado, ou foi influenciado, inexoravelmente, pela sucessão de acontecimentos, que deram lugar a uma inevitável "desordem" social e étnica, alguns ainda antes do 23 de janeiro de 1963, com o ataque ao quartel de Tite, localizado na região de Quínara, e que depois se alargaram cumulativamente a todo o território.

A oportunidade desta apresentação, a meu ver, enquadra-se nas imagens que o nosso camarada tertuliano, o ex-alf mil inf Luís Mourato Oliveira,  tem vindo a partilhar neste espaço colectivo que é a «Tabanca Grande», e que estiveram guardadas durante mais de quatro décadas no seu baú de memórias. (**)

Por isso é justo e oportuno agradecer-lhe essa disponibilidade e atenção, ele que ficou também na história da guerra por ter sido, em função dos acontecimentos do "25 de Abril", o último cmdt do Pel Caç Nat 52 (Mato Cão e Missirá, 1973/74) antes da proclamação da independência da Guiné, declarada em 23 de Setembro de 1974.

Por outro lado, as últimas imagens postadas nos P18504 e P18517, tendo por pano de fundo a delegação do PAIGC que visitou Missirá em julho de 1974 no âmbito dos acordos de cessar-fogo, e com as quais se fecharia o ciclo temporal deste conflito armado, que uns chama(ra)m «guerra do ultramar», outros "guerra de África", outros "guerra colonial"  e outros  ainda  «guerra de libertação», conforme a sua posição no cosmo, continuam a suscitar novas reflexões, sinal que se mantêm bem vivas, em cada um de nós, algumas das memórias gravadas ao longo das múltiplas vivências desses tempos ultramarinos, independentemente do lugar, época e contexto.

Porque nos postes acima se referem as imagens de alguns dos actos finais ocorridos na mata do interior do território (Missirá, sector L1, região de Bafatá. zona leste, "chão fula"...), proponho voltar ao início do conflito, apresentando um pedaço da "geografia social e étnica" dessa época, em particular da região da Frente Sul [, segundo o dispositivo do PAIGC], especificamente do Sector de Quitafine, por onde tenho "circulado" nos últimos tempos (entenda-se, em termos de investigado), de modo a fazer-se a ponte temporal de mais de uma década.

Em função do exposto, é difícil não concordar que a mobilidade das populações, por efeito da guerra, foi uma realidade, obrigando-as a tomar opções concretas no imediato, cujas decisões só tinham três hipóteses principais: a primeira, ficando sob o controlo da "ordem instalada" (a administração portuguesa); a segunda, transitando para além das fronteiras (exterior); e a última, aceitar fazer parte do universo da guerrilha nacionalista.

Para a elaboração deste trabalho socorri-me, uma vez mais, de um documento existente nos arquivos de Amílcar Cabral (1924-1973), disponível na Casa Comum – Fundação Mário Soares, intitulado «Relatório sobre o Sector de Kitáfine», assinado por José Araújo, Comissário Político e Produção para a Frente Sul, datado de 16 de Outubro de 1971, com trinta e nove páginas (sitio: hdl.handle.net/11002/fms_dc_40058).





Folha de rosto e introdução do relatório do José Araújo, "O Sector de Kétafinme" (sic), datilografado, 39 páginas, datado de 16 de outubro de 1971, e feito na base de Kandiafara (Guiné-Conacri). Fomte: Fundação Mário Soares > Casa Comum > Arquivo Amílcar Cabral (com a devida vénia...)


Quanto ao perfil de José Araújo, de seu nome completo José Eduardo de Figueiredo Araújo (1933-1992), à data do relatório, ele era também membro do Conselho Superior da Luta e do Comité Executivo da Luta. 

À laia de resenha biográfica, acrescente-se que este dirigente do PAIGC nasceu em 1933 na cidade da Praia, ilha de Santiago, em Cabo Verde, foi aí que fez os seus estudos primários. Em 1942, com apenas 9 anos, seguiu com a família para Angola, uma vez que o seu pai era funcionário da Fazenda (Finanças). Com uma bolsa de estudos atribuída pelos Correios de Angola, José Araújo desloca-se para Lisboa com o objectivo de realizar os seus estudos universitários na Faculdade de Direito de Lisboa, onde, em 1961, concluiu a sua licenciatura em Direito. 

Porém, no ano anterior tinha-se tornado militante do MPLA na clandestinidade, depois de ter-se envolvido numa intensa actividade associativa universitária. Em 1961 faz parte do grupo de africanos,  universitários, que decidem fugir para França. Seguiu-se depois o Gana. Após ter militado no MPLA, associa-se ao PAIGC, vindo a instalar-se em Conacri, com a sua família, dois anos depois, em 1963.

Com a independência da Guiné-Bissau, as suas novas funções políticas foram desenvolvidas como ministro do Secretariado. Entre 1975 e 1980, foi ministro sem pasta. Após essa data transferiu-se para Cabo Verde, onde desempenhou as mais elevadas responsabilidades políticas no novo contexto, em particular o cargo de ministro da Educação. Viria a falecer na sua terra natal, exactamente dezanove anos depois do assassinato de Amílcar Cabral, em 20 de Janeiro de 1992 (Fonte: adapt. de pascal.iseg.utl.pt/~cesa/images/files/ diaspora2016_texto4.pdf).

À data da sua morte era casado com Amélia Araújo, a locutora da "Rádio Libertação", conhecida entre nós como "Maria Turra"  (vidé P15434).


2. A MOBILIDADE DAS POPULAÇÕES NO SECTOR DE QUITAFINE POR EFEITO DA GUERRA – 41 TABANCAS DESAPARECIDAS


A propósito do conteúdo do "relatório" elaborado por José Araújo, este refere que ele tem por base a sua missão ao Sector de Quitafine [, Kétafine, sic, como vem grafado no relatório], realizada entre 14 de setembro e 8 de outubro de 1971. Aí teve a oportunidade de contactar com todos os responsáveis desse sector, incluindo a visita a duas bases do Exército (em Comissorã e em Cabonelo), ao Hospital (em Campo, ou Campum, no relatório) e ao Posto Civil (em Cassacá), local histórico para o PAIGC, pois foi aí que realizou o seu 1.º Congresso, que decorreu entre 13 e 16 de fevereiro de 1964.

Acrescenta que o Sector de Quitafine foi dos primeiros em que se fez a mobilização e se instalou a luta armada. Foi aí, no mato de Campo, que, dizem os pioneiros, nasceu a primeira "barraca" [acampamento] do partido no Sul, ainda antes da guerra.



Guiné > Região de Tombali > Carta de Cacine (1960) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Cassacá, a 15 km a sul de Cacine, região também como conhecida como Quitafine (falta-nos  a carta de Cassumba, com a ponta sul de Quitafine, que não está "on line"... Ver também carta de Cacoca.)

Fonte: Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2018)

"A situação criada à aviação inimiga [NT] com a instalação de antiaéreas em Quitafine e as pesadas derrotas que sofreu na sua tentativa de recuperação dessas armas, talvez expliquem a sanha com que se dedicou à destruição de tudo quanto via mexer em Quitafine, nos anos 68 e 69. A partir de 69 (fins), Quitafine começou a "arrefecer". […]

"É preciso ter-se em conta este passado para se compreender muito da actual fisionomia de Quitafine e os seus problemas. Quitafine, que era das áreas mais povoadas do Sul, só tem hoje [1971] 12 tabancas, organizadas em 9 comités. Repare-se que aquilo a que hoje se chama Tabancas e a que se dão nomes antigos, pouco tem a ver com as antigas tabancas. As populações, que conservaram os nomes das suas antigas tabancas, estão dispersas nos tarrafos e num ou noutro mato mais favorável. 

Além disso, grande parte (se não a maioria) da população das tabancas antigas ainda "presentes" dispersou-se pelas tabancas fronteiriças da República da Guiné, quando não foi juntar-se aos tugas. Penso também que alguns erros cometidos no trabalho político inicial devem explicar a actual fisionomia humana de Quitafine" (op. cit., pp 2/3).


No Relatório estão identificados os nomes de quarenta e uma Tabancas que deixaram de existir na região de Quitafine, e que serão referidas abaixo.

A organização da sua apresentação contém alterações em relação à original. Como metodologia seleccionada, optámos pela ordenação alfabética para melhor localização da ordem estabelecida. Quanto ao conteúdo textual, existem algumas (pequenas) correcções, particularmente no que concerne à construção semântica e unificação da descrição, mas que não alteram o sentido apresentado.

Eis, então, os nomes da Tabancas desaparecidas por efeito da guerra no Sector de Quitafine (n=41)

● BANERE –> Tabanca de Fulas. Retiraram-se para CAMABANGA e SATENIA, na República da Guiné. O chefe – Mamassalu – encontra-se na segunda destas tabancas.

● BIRCAMA –> Tabanca de Beafadas. Foram todos para os tugas.

● CABOBAR –> Tabanca de Nalús, pequena. Uma morança só. Toda a gente retirou-se para GÃ BIT FONE, CARAQUE e BISSAMAIA, na República da Guiné.

● CABOXANQUE –> Tabanca de Fulas. Foram todos para a República da Guiné, tendo-se instalado em várias tabancas, em especial na de CUN-HA e CAMABANGA. [Não confundir eventualmente com Caboxanque, no Cantanhez, na oputra margem do Rio Cacine]

● CABOXANQUEZINHO –> Tabanca de Fulas e Tandas. Os tandas espalharam-se na República da Guiné, longe da fronteira. Os Fulas foram para os tugas, à excepção de duas pessoas (Beila  Baldé e a irmã), que foram para CALAFIMETE, na República da Guiné.

● CABOMA –> Tabanca de Sossos. Só duas pessoas foram para os tugas. O resto juntou-se à população de CAMISSORÃ.

● CABONEPO –> Tabanca de Sossos e Beafadas. Havia também um cabo-verdiano de nome Leão Gabriel. O caboverdiano foi para Dacar (ao que parece). O resto foi para CARATCHE, GAFARANDE e CABACO, na República da Guiné. Só ficou um Homem Grande, de nome Idrissa Keita, que se instalou no mato, em CASSACÁ.

● CACAFAL –> Tabanca de Nalús. Toda a gente foi para os tugas, à excepção do camarada Ansumane Djassi, do Exército, que está em FULA MORI.

CACOCA –> Tabanca de Sosso, Nalús, Bagas, Fulas e Lândumas. Só se retirou uma família (Canforseco Keita), que está em CAPOQUENE. O resto ficou com os tugas.

● CADUCÓ –> Tabanca essencialmente de Nalús. Foram para a fronteira, tendo-se instalado em CAN-HOR, uma parte, e a outra em CATCHIQUE.

● CAIANQUE –> Tabanca de Nalús. Refugiaram-se em CAMAÇO e CATCHIQUE, na República da Guiné,

● CAIÂNTICO –> Tabanca de Beafadas. Foi gente para os tugas e o resto para HAMDALAYE e CABUM-ANE, na República da Guiné.

● CALAQUE –> Tabanca de Sossos, Fulas, Manjacos e Lândumas. À excepção de duas moranças de Manjacos, toda a gente retirou-se para tabancas fronteiriças da República da Guiné. As duas moranças de Manjacos instalaram-se no mato de CALAQUE.

● CAMBAQUE –> Tabanca de Nalús. A maioria da população foi para os tugas. Alguns elementos foram para CASSAMA e CARAQUE, na República da Guiné. 

● CAMBEQUE –> Tabanca de Nalús. Retirou para BAKILONTON E IAMAN, na República da Guiné. Alguns foram depois daí para os tugas.

● CAMBRAZ –> Tabanca de Mandingas. Toda a população juntou-se aos tugas.

CAMECONDE –> Tabanca de Nalús. Só retiraram duas famílias (Almani Keita e Braima XCamaré), que estão em CASSANSSANE, na República da Guiné. O resto ficou com os tugas.

● CAMISSORÃ –> Tabanca de Sossos, Nalús, Mandingas, Beafadas e Fulas. Os Fulas foram todos para a República da Guiné. Houve também gente de outras tribos que se refugiou. Ficou pouca gente, que se refugiou nos tarrafos de CAMPUM [ou Campo], e que tem o seu comité.

● CAMPEANE –> Tabanca de Nalús e Sossos, essencialmente. Refugiaram-se igualmente em CAIETCHE e CATCHIQUE.

● CAMPEREMO –> Tabanca de Nalús e Beafadas. Uma morança de beafadas está em Hamdalaye. Uma outra (Mamadu Dabo) está para os lados de CANELAS. Duas famílias estão em CARATCHE (Ansumane Dabo e Tomás Dabo). O resto foi para os tugas.

● CAMPO –> Tabanca de Fulas. Retiraram-se para CASSEMAQUE, BAGADAYE, e outras, na República da Guiné.

● CANDEMPANE –> Tabanca de Nalús. Só ficou o camarada Ansumane Dabo, que é actualmente instrutor das FAL no sector. O resto foi para os tugas.

● CANFEFE –> Tabanca de Sossos e Nalús. Retiraram-se todos para tabancas da República da Guiné.

● CANTEDE –> Tabanca de Nalús. Toda a população juntou-se aos tugas.

● CANTOMBOM –> Tabanca de Nalús. Foram todos para os tugas.

● CARIMPIM –> Tabanca de Nalús. Toda a população refugiou-se em CARATCHE.

● CASSENTEM –> Tabanca de Nalús e Balantas. Os Nalús foram para CALAFIMET e CAMAÇO, na República da Guiné. Os Balantas mantiveram-se no interior, tendo-se instalado nos tarrafos de TAFORE e CASSEBETCHE.

● CASSOME –> Tabanca de Nalús. Instalaram-se em CARAQUE, na República da Guiné.

● CATONAIE –> Tabanca de Nalús. Foram todos para os tugas.

● CATRIFO –> Tabanca de Nalus. Toda a população foi para os tugas, à excepção da família Ali Keita, que retirou-se para MAMADIA, na República da Guiné.

● CATUNAIE –> Tabanca de Nalús. Ficou uma família (Abdu Camará) nos tarrafos de CASSEBETCHE. O resto refugiou-se em CASSEMAQUE, na República da Guiné.

● CATUNGO –> Tabanca de Nalús. Foram todos para os tugas, à excepção de uma mulher, Mama Camará que está em CARATCHE, na República da Guiné.

● CAULACA –> Tabanca de Sossos e Nalús. Dessa tabanca, que se tinha retirado para a fronteira com a República da Guiné, toda a gente voltou para dentro. Estão instalados nos matos de CASSACÁ.

● CUGUMA –> Tabanca de Nalús. Foram todos para CACINE.

● CUNFA –> Tabanca de Nalús. Toda a tabanca foi para os tugas, à excepção de uma família (Amadu Dabo), que retirou-se para IAMANE, na República da Guiné.

● DÉBIA –> Tabanca de Nalús. Alguns elementos refugiaram-se em TANENE e IAMANE, outros foram para os tugas.

● MANSABATÚ –> Tabanca de Nalús. Foram todos para os tugas, só tendo ficado uma pessoa – um camarada, o enfermeiro do bigrupo em missão na área, de nome Mamadu Keita, mais conhecido por Tam Atna. [Este bigrupo tinha como Cmdt Cinur N'Tchir, natural de Cafine, onde nasceu em 1943. Actuava na Frente «Buba – Quitafine»[

SANCONHÁ –> Tabanca de Beafadas. Foram poucos para os tugas, os outros estão para os lados de SANSALÉ, na República da Guiné.

● TADI –> Tabanca de Nalús. Toda a população refugiou-se em CARATCHE.

● TARCURÉ –> Tabanca de Nalús. Foram todos para os tugas.

● TUBANDI –> Tabanca de Djacancas [um subgrupo da etnia Mandinga]. Retirou para CAPOQUENE e N'DJAILÁ, na República da Guiné.

Será que alguém ouviu falar ou esteve em alguma destas tabancas? [Há referências no nosso blogue a algumas destas tabancas, não fiz unma pesquisa exaustiva.]

Aguardo. Obrigado pela atenção.
Com um forte abraço de amizade e votos de muita saúde.
Jorge Araújo.
13ABR2018.



Citação: (s.d.), "Tabanca no interior da Guiné, ao fundo distinguem-se mulheres cozinhando", CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_ dc_43022 (2018-4-13) (com a devida vénia).



Citação: (1963-1973), "Guerrilheiros do PAIGC numa tabanca", CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43109 (2018-4-13) (com a devida vénia).

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Notas do editor:


(**) Vd. poste de 12 de abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18517: Álbum fotográfico de Luís Mourato Oliveira, ex-alf mil, CCAÇ 4740 (Cufar, dez 72 / jul 73) e Pel Caç Nat 52 (Mato Cão e Missirá, ago 73 /ago 74) (27): Visita de uma delegação do PAIGC a Missirá, em julho de 1974, no âmbito dos acordos de cessar-fogo - Parte II: Dando uma oportunidade à paz, depois de oito anos de guerra: os últimos dias dos bravos do pelotão