sexta-feira, 28 de abril de 2017

Guiné 61/74 - P17294: XII Encontro Nacional da Tabanca Grande, Palace Hotel de Monte Real, 29 de Abril de 2017 (8): nº final de inscritos: 131, oriundos de Lisboa / Grande Lisboa (40%), Porto / Grande Porto (28%), Centro (22%) , Norte (7%), Sul e diáspora lusitana (3%)... Boa viagem pelas picadas fora até Monte Real... Tragam os crachás... Cuidado com as minas & armadilhas!



1. O nº final de inscritos é de 131 (*):


(i) 38,5% dos quais são oriundos de Lisboa / Grande Lisboa... 

(ii) segue-se, por regiões, o Porto / Grande Porto (28,2%) e o Centro (21,5%)...

O resto do país está mal representado: temos apenas 10 nortenhos, 2 sulistas (incluindo a nossa querida enfermeira paraquedista Maria Arminda Santos que nos honra com a sua presença, pela primeira vez, no Encontro Nacional da Tabanca Grande, e que vem também aos anos da Giselda Pessoa!), e mais 2 representantes da diáspora lusitana (O Zeca Macedo e a esposa, que vêm expressamente da América, pela segunda vez!)...

Amanhã, sábado, vamos estar todos no Palace Hotel Monte Real (vd. localização aqui).

Boa viagem, pela picada fora, cuidado com as minas & armadilhas... A segurança em primeiro lugar!

PS - Não se esqueçam dos crachás!... E podem trazer os vossos álbuns de fotografia da Guiné...


2. Programa da festa (**):


- A partir das 10h00 > Receção / boas vindas (os "velhinhos" recebem os "periquitos" de braços abertos);

- 11h30 > Missa na Igreja Matriz de Monte Real;



- 12h30 > Foto de Família na imponente escadaria do Palace Hotel de Monte Real;



- 13h00 > Começam a ser servidas as Entradas, se estiver bom tempo, no pátio anexo à Sala Dom Diniz;

- 14h00 > Almoço, na Sala Dom Diniz;

.  Da parte da tarde, além do salutar convívio entre os presentes, estarão patentes alguns livros recentes, para divulgação (e  venda), de camaradas que publicaram as suas memórias em prosa, verso ou imagem;


- 18h30 > Servido um lanche ajantarado para fim de festa.


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A Comissão organizadora

Carlos Vinhal (telemóvel: 916 032 220) (Inscrições)
Joaquim Mexia Alves (telemóvel: 962 108 509) (Logísticas / Reservas de quartos)
Luís Graça (telemóvel: 931 415 277) (Tabanca Grande)
Miguel Pessoa (Crachás)

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Lista definitiva dos inscritos, por região, no XII Encontro Nacional da Tabanca Grande, sábado, 29 de abril de 2017, em Monte Real



Lisboa/ Grande Lisboa (n=52) (39,7%)

Agnelo Macedo e Delfina - Lisboa 
António Duarte e Conceição Duarte - Linda-A-Velha / Oeiras 
António Fernando Marques e Gina - Cascais 
António Luís e Maria Luís - Lisboa 
António Maria Silva e Maria de Lurdes - Sintra 
António Martins de Matos - Lisboa 
Armando Nunes Carvalho e Maria Deolinda - Sintra 
Armando Pires - Algés / Oeiras 
Arménio Santos - Lisboa 
Carlos Silva e Germana - Massamá / Sintra
Fernando Jesus Sousa e Emília Sérgio - Lisboa 
Francisco José F. Oliveira - Lisboa 
Francisco Palma - Cascais 
Francisco Silva e Maria Elisabete - Porto Salvo / Oeiras 
Jorge Cabral - Lisboa 
Jorge Canhão e Maria de Lurdes - Oeiras 
Jorge Ferreira - Lisboa 
Jorge Pinto e Ana Maria - Sintra 
Jorge Rosales - Monte Estoril / Cascais
José Fernando D. Mendonça - Oeiras 
José Henrique S. Ribeiro - Alfragide 
José Miguel Louro e Maria do Carmo - Lisboa 
Luís Graça - Alfragide / Amadora 
Luís Paulino e Maria da Cruz - Algés / Oeiras 
Luís R. Moreira e Irene - Sintra 
Manuel Gonçalves e Maria de Fátima (Tucha) - Lisboa 
Manuel Joaquim - Lisboa 
Mário Magalhães, Fernanda e Afonso - Sintra 
Mário Vitorino Gaspar - Lisboa 
Miguel Pessoa e Giselda - Lisboa
Rogé Guerreiro - Cascais 
Rui Pedro Silva - Lisboa 
Virgínio Briote e Maria Irene - Lisboa


Porto/Grande Porto (n=37) (28,2%)

Abel Santos - Leça da Palmeira / Matosinhos
Albano Costa e Maria Eduarda - Guifões / Matosinhos 
António Acílio Azevedo e Maria Irene - Leça da Palmeira / Matosinhos 
António Osório, Ana e Maria Neves - Vila Nova de Gaia 
Augusto Pacheco - Baguim do Monte / Gondomar 
Carlos Vinhal e Dina - Leça da Palmeira / Matosinhos 
David Guimarães e Lígia - Espinho 
Eduardo Campos - Maia 
Eduardo Magalhães Ribeiro e Carlos Eduardo - Porto 
Fernandino Leite - Gueifães / Maia 
Fernando Sousa e Maria Barros - Trofa 
Hernâni Alves da Silva e Branca - Vila Nova de Gaia 
Isolino Gomes e Júlia - Porto 
Joaquim Gomes Soares, Maria Laura e Aurora Brito - Porto 
Jorge Peixoto - Gondomar 
José Casimiro Carvalho - Maia 
José Ferreira da Silva e Maria Vergilde - Crestuma / V. N. Gaia 
José Francisco Macedo Neves e Rosa Maria - Guifões / Matosinhos
Manuel Viçoso Soares - Porto 
Mário Santos - Maia 
Moura - Maia 
Ricardo Figueiredo - Porto 
Vasco Ferreira - Vila Nova de Gaia 

Centro (n=28) (21,4%)


Agostinho Gaspar - Leiria
Almiro Gonçalves e Amélia - Vieira de Leiria / Marinha Grande
António Dias Pereira e Teresa Maria - Tomar
António M. Sucena Rodrigues e Rosa Maria - Oliveira do Bairro 
António Vieira - Vagos 
Artur Gil - Caldas da Rainha 
C. Martins - Penamacor 
Carlos Cabral e Judite - Pampilhosa da Serra
Diamantino Ferreira e Emília - Leiria 
Eduardo Jorge Ferreira - Vimeiro / Lourinhã 
Ernestino Caniço - Tomar 
Idálio Reis - Sete-Fontes / Cantanhede 
Joaquim Mexia Alves e Catarina - Monte Real / Leiria 
José Eduardo R. Oliveira (JERO) - Alcobaça 
Luís Lopes Jorge - Monte Real / Leiria
Manuel Augusto Reis - Aveiro 
Manuel Lima Santos e Fátima - Viseu 
Manuel Lopes e Hortense - Monte Real / Leiria
Silvino Correia d' Oliveira - Leiria 
Urbano Martins Oliveira - Figueira da Foz 



Norte (n=10) (7,6%)


Joaquim Carlos Peixoto e Margarida - Penafiel 
José Almeida e Antónia - Viana do Castelo 
José Barros Rocha - Penafiel 
José Manuel Cancela e Carminda - Penafiel 
José Manuel Lopes - Régua 
Manuel Luís Lomba e Maria Arminda - Barcelos


Sul (n=2) (1,5%)


Hélder Valério de Sousa - Setúbal
Maria Arminda Santos - Setúbal 


Diáspora Lusitana (EUA) (n=2) (1,5%)


José Macedo e Goreti - Estados Unidos da América


Total = 131 (100,0%)


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Notas do editor:


(*) Último poste da série > 24 de abril de  2017 > Guiné 61/74 - P17281: XII Encontro Nacional da Tabanca Grande, Palace Hotel de Monte Real, 29 de Abril de 2017 (7): Temos 130 inscrições!... O prazo foi alargado até 4ª feira, dia 26,às 12h00... Camaradas, tragam mais cinco!... Divulguem pelos vossos contactos!... Comemoramos 13 anos de blogue, o equivalente a 6 comissões no CTIG!... E estamos vivos!


(**) Vd. poste de 7 de março de 2017 > Guiné 61/74 - P17112: XII Encontro Nacional da Tabanca Grande, Palace Hotel de Monte Real, 29 de Abril de 2017 (2): Abertura das inscrições que terminam: (i) a 23 de abril; ou (ii) ou quando se atingir a lotação da sala (200 lugares)

Guiné 61/74 - P17293: Notas de leitura (951): Guerra da Guiné: Os atores, a evolução político-militar do conflito, as revelações surpreendentes - Apresentação dos três volumes alusivos aos aspetos operacionais na Guiné, da responsabilidade da Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974 (2) (Mário Beja Santos)



1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 21 de Abril de 2017:

Queridos amigos,
Não hesito em considerar esta Resenha uma peça indispensável para futuras investigações sobre a guerra da Guiné, comporta documentação fundamental e trata numa sequência cronológica toda a atividade operacional, é também nessa perspetiva uma ferramenta de trabalho inédita. Tem o dom de contribuir para a desmontagem de alguns mitos e releva, em paralelo com a atividade operacional das nossas tropas o que se passa no interior do PAIGC. Os investigadores têm ao seu dispor milhares de documentos para consultar e o que desapareceu quanto ao CTIG e Comando-Chefe das Forças Armadas tem que vir a ser procurado noutras fontes, caso não tenham sido destruídas, nos então Ministérios do Ultramar e Defesa Nacional, sobretudo. Os responsáveis da Resenha recordam que, por exemplo, ainda estão desaparecidas as diretivas do General Bettencourt Rodrigues. Isto para sublinhar que há muitíssimos dados históricos ainda por conhecer.

Um abraço do
Mário


Guerra da Guiné:
Os atores, a evolução político-militar do conflito, as revelações surpreendentes (2)

(Apresentação dos três volumes alusivos aos aspetos operacionais na Guiné, da responsabilidade da Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974), Academia Militar, 18 de Abril de 2017)

Mário Beja Santos

O segundo volume da Resenha tem como balizas 1967 a 1970. Começa por carrear informação sobre diretivas do Comandante-Chefe em que é bem claro a importância ofensiva que se reconhece em procurar dissuadir a presença inimiga no Oio, como também na região de Sara-Sarauol; impunha-se vigiar velhos e novos corredores, no caso da região Oeste patrulhar intensivamente Canja e Sitató, bem como proteger o Chão Manjaco e impedir a presença do PAIGC no Boé. Mas nos relatórios não se ilude o estado de espírito das populações: podia considerar-se bom em todo o interior da zona Leste, a Norte do rio Corubal, na ilha de Bissau; no Oeste, verificara-se um aumento das aéreas afetadas pela subversão. Mas é notória a dificuldade sentida em manter as populações num estado de confiança e de proteção, por isso segue-se o caminho da escalada intimidatória com bombardeamentos, operações em que se conjugavam forças especiais e tropas da quadrícula, intensificou-se o esforço da autodefesa das populações em tabanca, melhorou-se a assistência sanitária e o programa escolar.

Estamos em 1968, a Resenha esclarece que o material utilizado pelo PAIGC é cada vez mais aperfeiçoado, entraram em cena mais canhões sem recuo e morteiros de 120 mm. Escreve-se: “O ano em apreço constitui um salto qualitativo apreciável na eficiência do inimigo porquanto, para além da centralização da direção da luta, da ligação rádio entre os escalões de comando, do reforço dos materiais e meios de combate e do apoio de serviços, adotou uma postura de iniciativa de flagelações aos aquartelamentos das nossas tropas, aperfeiçoou o seu sistema de informações. As nossas tropas capturaram ao IN esboços e até fotografias dos nossos aquartelamentos, demonstrativos de tal aperfeiçoamento”. Um acontecimento espúrio abala quem julga que Bissau é inexpugnável: um pequeno grupo do PAIGC lança alguns mísseis sobre Bissalanca, provoca estragos no aeroporto.

Em Maio, Spínola substitui Schulz. Chega a Bissau e pretende revolucionar o dispositivo, a manobra, a africanização da guerra, tem ideias concretas sobre o desenvolvimento social e económico que pretende imprimir à região. Aceitou o cargo de Governador e Comandante-Chefe com uma série de condições, desde um maior número de efetivos, passando pela escolha dos seus colaboradores diretos até à chegada de bastante dinheiro para os projetos de desenvolvimento. Quer concentrar recursos, subtrair população ao PAIGC, redobrar esforços para impedir a circulação nos corredores de Sambuiá, Sitató, Canja e Guileje, manda retirar tropas de quartéis que são abandonados, anuncia uma política de reordenamento das populações, pretende revitalizar a ação psicológica, estabelece um novo esquema para a autodefesa das populações, garante que virão mais efetivos, mais equipamentos. Tudo isto conjugado com um novo estilo de atuação, visitas permanentes aos aquartelamentos, descidas imprevistas de helicóptero onde se desenvolvem operações, dá uma imagem de permanente preocupação com as condições de vida dos soldados, tem manifestações de rispidez com os oficiais que considera incompetentes e incapazes. Passa a aparecer regularmente na televisão em Portugal, recebe jornalistas estrangeiros. Temos, além disso um novo figurino político-militar sob a consigna “Por uma Guiné melhor” em que o refrão permanente é a Guiné para os guinéus, um sinal claro em consonância com um dado estrutural da mentalidade guineense que é a desconfiança e mesmo o rancor do autóctone face ao cabo-verdiano, é um lema que vai envenenar o postulado da unidade Guiné-Cabo Verde que Amílcar Cabral pôs no altar dos dogmas (quem é contra deve abandonar o PAIGC).

Marcello Caetano, com quem Spínola mantém então um ótimo relacionamento, visita Bissau em Abril de 1969. A resenha mostra o documento da reunião extraordinária, é um excelente ponto de situação sobre a evolução da guerra, no Sul, no Oeste e no Norte. Spínola explica aos políticos presentes um princípio que terá efeitos de bumerangue depois dos gravíssimos acontecimentos de Maio de 1973, o da concentração de recursos e abandono de aquartelamentos. Conclui a sua exposição dizendo que a situação militar na Guiné continua manifestamente crítica. E diz: “Não contesto que temos obtido alguns êxitos militares locais, suscetíveis de influenciar um público deficientemente esclarecido. Mas esses êxitos projetam-se no campo do episódico e do transitório, não tendo qualquer significado no quadro da manobra estratégica do teatro de operações, quadro onde o inimigo continua a manter a iniciativa num desenvolvimento sistemático da sua manobra de largo envolvimento e cerco à ilha de Bissau – seu objetivo militar e psicológico final”.

Passamos agora para o terceiro volume da Resenha que compreende o período de 1971 a 1974, culmina com a retirada das nossas forças da Guiné. Ocorrera uma operação de desembarque em Conacri em Novembro de 1970, teve alguns aspetos positivos mas os negativos iriam marcar o futuro, logo o mais profundo isolamento internacional de Portugal e a presença de barcos de guerra soviéticos nas águas da República da Guiné-Conacri, o que sobressaltou a NATO. Passou a pairar no ar o espectro de uma represália da República da Guiné. Spínola na sua Diretiva n.º 7/71, de 30 de Março, dá instruções para o emprego da Corveta “Jacinto Cândido”, alegando os incidentes de 22 de Novembro em Conacri e a possibilidade da República da Guiné passar a ter meios aéreos de bombardeamento, referindo mesmo um raide aéreo de reconhecimento de Bissau por dois MIG 17 tripulados por pilotos argelinos. A Corveta deveria então pesquisar alvos aéreos, tendo especial atenção os corredores aéreos que do Sul e Sueste convergem em Bissau, vigiar os canais que permitam a aproximação de unidades de pequeno porte, do estuário do Geba e dos Bijagós e impedir infiltrações por via marítima de elementos inimigos transportados em embarcações tripuladas que do Cubisseco, do Tombali, da ilha do Como ou do Quitafine se dirijam para o arquipélago dos Bijagós. E como iniciativa de reviravolta para levar o PAIGC à dispersão de esforços é lançada uma operação de nome “Grande Empresa”, no essencial a reocupação do Cantanhez.

A africanização da guerra dá novos frutos: os Comandos Africanos, o progressivo aumento do Corpo das Milícias, mais tarde a formação de fuzileiros, as forças especiais africanas estão em franco desenvolvimento.

De 1971 para 1972, Amílcar Cabral induz o PAIGC a preparar-se para a independência unilateral, inicia-se uma espécie de recenseamento para eleger a futura Assembleia Nacional Popular e alguns órgãos do Estado. Escreve-se neste último livro que “no âmbito das operações militares, o inimigo provocou um significativo agravamento da situação, tendo conseguido um volumoso reforço de meios materiais e humanos que fez deslocar para as zonas de fronteira e para o interior do território, com os quais atacou dura e repetidamente algumas guarnições militares das nossas tropas, em particular as que se situavam nas zonas de fronteira”.

O cenário da guerra ganha complexidade: a despeito das flagelações e das emboscadas e colocação de minas por parte da guerrilha, a ofensiva das forças portuguesas não conhece quebra e há sinais nítidos de desenvolvimento: aldeamentos, escolas e postos sanitários; constroem-se estradas que exigem meios de proteção permanentes, caso de Aldeia Formosa – Mampatá – Buba, Catió – Cufar, Jugudul – Bambadinca, isto no exato momento em que se concluem as estradas Nova Lamego – Piche – Buruntuma, Mansoa – Bissorã – Olossato, em diferentes locais constroem-se pontes. Constatado de que há zonas na Guiné que carecem de operações especiais, criam-se zonas de intervenção exclusiva do Comando-Chefe, será o caso do Boé, do Morés, de Sara-Sarauol e na região Sul de Salancaur.

Spínola procura roubar iniciativa ao PAIGC lançando tropas em regiões que Amílcar Cabral anuncia como libertadas. É o que se passa no Cubisseco, com a construção da estrada Cufar – Catió, e a estrada Jugudul – Bambadinca. A “Força Africana” é apresentada com um dos elementos da adesão das populações À política de promoção socioeconómica, tem a consigna “Guiné Portuguesa defendida e administrada por guinéus”. É composta pelo Batalhão de Comandos da Guiné, Companhias de Caçadores Africanas e o Corpo de Milícias, com Companhias e Pelotões e Grupos Especiais que irão atuar como força de intervenção no regulado a que pertencem os componentes do grupo.

Está em curso a operação “Grande Empresa” e em Janeiro de 1973 é assassinado Amílcar Cabral. A resposta enérgica do PAIGC vem meses depois, logo em 22 de Março de 1973 é atingida uma aparelha de aviões Fiat G91 – os mísseis terra-ar faziam a sua entrada na guerra, segue-se o cerco a Guidage que exigiu a operação “Ametista Real”, para destruir ou desorganizar a respetiva organização militar do PAIGC, o bombardeamento e a retirada de Guileje e o inferno de Gadamael-Porto de que há testemunhos eloquentes como aquele que foi produzido pelo então Capitão Comando Manuel Ferreira da Silva que assumiu o comando do COP 5 em Gadamael em 31 de Maio de 1973.

Intervenção do Coronel Cav Henrique de Sousa, coautor da Resenha

Intervenção do Chefe do Estado-Maior do Exército General Rovisco Duarte

Intervenção do Embaixador da Guiné-Bissau

(Continua)
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Nota do editor

Poste anterior de 24 de abril de 2017 > Guiné 61/74 - P17277: Notas de leitura (950): Guerra da Guiné: Os atores, a evolução político-militar do conflito, as revelações surpreendentes - Apresentação dos três volumes alusivos aos aspetos operacionais na Guiné, da responsabilidade da Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974 (1) (Mário Beja Santos)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Guiné 61/74 - P17292: Homenagem aos limianos que morreram pela Pátria nas guerras do ultramar (Mário Leitão) - Parte II


Mário Leitão,  farmacêutico reformado, 
residente em Ponte de Lima, ex-fur mil de Farmácia, Luanda, 1971/73. 


De Adelino Pereira de Sousa a Cândido de Abreu Vieira (n=10)

(Continua)

1. Continuação da divulgação do artigo publicado na Revista Limiana (I Série, 2007-2014, nº 37, abril de 2014, director: José Pereira Fernandes), da autoria do nosso camarada e grã-tabanqueiro Mário Leitão,  farmacêutico reformado, residente em Ponte de Lima, ex-fur mil de farmácia, Luanda, 1971/73. 

O Mário Leitão tem-se dedicado, de alma e coração, à indispensável e exaustiva recolha e tratamento da informação relativa aos limianos,  os naturais do concelho de Ponte de Lima, mortos nos TO de Angola, Guiné e Moçambique bem como no continente ou outros territórios, no cumprimento do serviço militar, no período que abarca a guerra do ultramar (1961/74).

A lista (52 nomes no total) é enriquecida com fotos e valiosas notas biográficas. Publicam-se os 10 primeiros nomes. Os camaradas mortos no TO da Guiné vão assinalados a vermelho (sublinhado). Um deles é o António da Silva Capela, sold at, CCAV 2487 (1969/70),  morto em combate no decurso da Op Ostra Amarga, e cuja atroz agonia foi filmada por uma equipa da televisão francesa, de visita ao TO da Guiné.

O vídeo, em francês, "Guerre en Guinée" [, "Guerra na Guiné", com resumo pormenorizado, em português,  no poste P2249 (**)] , está disponível aqui, no portal do INA - Institut national de l'audiovisuel (13' 58''). Foi produzido pela ORTF, em 1969.

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Notas do editor:

(*) Último poste da série > 13 de abril de 2017 > Guiné 61/74 - P17240: Homenagem aos limianos que morreram pela Pátria nas guerras do ultramar (Mário Leitão) - Parte I

(**) 8 de novembro de 2007 >  Guiné 63/74 - P2249: Vídeos da guerra (2): Uma das raras cenas de combate, filmadas ao vivo (ORTF, 1969, c. 14 m) (Luís Graça / Virgínio Briote)


Guiné 61/74 - P17291: Álbum fotográfico de Luís Mourato Oliveira, ex-alf mil, CCAÇ 4740 (Cufar, dez 72 / jul 73) e Pel Caç Nat 52 (Mato Cão e Missirá, jul 73 /ago 74) (16): o Pel Caç Nat 67,em Cufar, 1973



Guiné > Região de Tombali > Cufar > 1973 >  A despedida do Pel Caç Nat 67 >  Em primeiro plabo, o comandante do Pelotão, alf mil Gil da Silva Inácio, de alcunha,  o "Gringo" (1)


Guiné > Região de Tombali > Cufar > 1973 > > A despedida do Pel Caç Nat 67 >  Em primeiro plano, o comandante do Pelotão, alf mil Gil da Silva Inácio, de alcunha,  o "Gringo" (2)


Guiné > Região de Tombali > Cufar > 1973 > > A despedida do Pel Caç Nat 67 >  Em primeiro plabo, o comandante do Pelotão, alf mil Gil da Silva Inácio, de alcunha,  o "Gringo" (3)



Guiné > Região de Tombali > Cufar > 1973 >  A despedida do Pel Caç Nat 67 >  "De malas aviadas"... (O Luís Mourato Oliveira já não se lembra para onde foi esta subunidade, talvez para o leste)


Guiné > Região de Tombali > Cufar > 1973 > Pel Caç Nat 67 >  O alf mil Luís Mourato Oliveira. dp 3º pelotão da CCAÇ 4740, com militares do Pel Caç NaT 67


Fotos (e legendas): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do Luís Mourato Oliveira, nosso grã-tabanqueiro, que foi alf mil inf da CCAÇ 4740 (Cufar, 1973) e do Pel Caç Nat 52 (Mato Cão e Missirá, 1973/74). (*)

De rendição individual, foi o último comandante do Pel Caç Nat 52. Irá terminar a sua comissão no setor L1 (Bambadinca), em Missirá, depois de Mato Cão, e extinguir o pelotão em agosto de 1974.

Até meados de 1973 esteve em Cufar, a comandar o 3º pelotão da CCAÇ 4740, no 1º semestre de 1973. Tem bastantes fotos de Cufar, que começámos a publicar no poste anterior (*).

Hoje mostram-se algumas fotos do Pel Caç Nat 67. com cujo pessoal o Luís Mourato Oliveira confraternizou. O comandante do 67 era conhecido como o "Gringo", era uma figura popular no quartel de Cufar.



Crachá do Pel Caç Nat 67 (Cortesia do nossso camarada e grã-tabanqueiro,  Luís de Sousa, ex-sold trms, CCaç 2797 (Cufar, 1970-72) (**)


 2. Temos  escassas referências sobre o Pel CAÇ Nat 67

O nosso camarada Armindo Batata, cmdt do Pel Caç Nat 51 escredveu:  "Os Pel Caç Nat 51 e 67, este de comando do alf mil [Joaquim] Esteves, passaram por Cacine em dezembro 1969/janeiro 1970, em trânsito para Cufar. O Pel Caç Nat 67 tinha guarnecido o destacamento do Mejo até à evacuação desta posição em janeiro de 1969." (***)

Por sua vez, Joauqim Esteves fezx em tempos um comenrtário a um dos nossos postes:  "Estive  em Cufar de dezembro de 1969 a  novwembro de 1970 a comandar o Pel Caç Nat 67 (...), Joaquim Esteves, ex-alf mil cav" (comentário ao poste P5977, de 12 de março de 2010).

Vd. também a página da CCAÇ 4740 > Grupos especiais (destaque para os Pel Caç Nat 51 e 67).

O Luís Mourato Oliveira  também conviveu, na 1ª metade do ano de 1973, com o Pel Caç Nat 51 e o seu infortunado comandante,  o alf mil op  esp Nuno Gonçalves da Costa (, assinado por um dos seus soldados, em Jumbembem, em 16/7/1973).

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Guiné 63/74 - P17290: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (30): Tavira, CISMI, onde há 48 anos frequentei o 1.º Ciclo do Curso de Sargentos Milicianos (António Tavares)

Quartel da Atalaia
Foto: © Beja Santos. Todos os direitos reservados


1. Mensagem do nosso camarada António Tavares (ex-Fur Mil SAM da CCS/BCAÇ 2912, Galomaro, 1970/72), datada de 22 de Abril de 2017:

Camarigos,
Passados 48 anos da minha entrada no CISMI – Tavira para frequentar o 1.º Ciclo do Curso de Sargentos Milicianos – 2.º Turno de 1969, recordo:

Parti do Porto, com outro recruta, em automóvel, pelas 07H00 do dia 20 de Abril de 1969 com chegada a Tavira, às 19H30, depois de paragens em Leiria, Lisboa e Setúbal.

Entrei pela porta de armas do CISMI no dia 21 de Abril de 1969. Era uma Segunda-feira que ficou gravada em cada um dos jovens recrutas, quer pelos bons ou maus motivos, estes talvez a pesar mais nos pratos da balança.

Em 23 de Abril fizemos os testes psicotécnicos. Escolhi as especialidades de Contabilidade e Pagadoria; Amanuense e Intendência.

Em 25 de Abril assumiu as funções de Director do CISMI o Exmo. Tenente Coronel de Infantaria, António Mendes Baptista em substituição do Exmo. Senhor Tenente Coronel de Infantaria José Alves Pereira que foi transferido para a Repartição de Recrutamento do Ministério do Exército.
O Major de Infantaria José Bernardo Cruz de Aragão Teixeira era o Segundo Comandante do CISMI.
Nesse dia festejamos os anos do MACB, um camarada de Queluz, ferrenho sportinguista, que era estimado por todos. Na sua companhia muitas vezes viajei de comboio pelo Algarve. Ele foi mobilizado para Moçambique. Infelizmente faleceu em 2015.

Em 6 e 7 de Maio, Sua Excelência o General Emílio Mendes Moura dos Santos, ilustre Director da Arma de Infantaria, visitou o CISMI acompanhado do Exmo. Senhor Coronel Marafusta Marreiros.

Em 9 de Maio visitou o CISMI Sua Excelência o General Fernando Louro de Sousa, ilustre Comandante da 3.ª Região Militar. Sua Excelência viajou acompanhado do Exmo. Tenente Coronel do CEM Amândio Travassos de Almeida Nogueira, Chefe Interino da Região Militar com sede em Évora.
É de notar o tratamento dado aos Oficiais Superiores e Generais. O instruendo era um número. O meu era o 58.

Na preparação de uma destas visitas, fui um dos faxinas à caserna da 1.ª Companhia, cujo trabalho era limpar os mictórios. Com palha-de-aço e a água a correr entre as minhas mãos tentava eliminar o verdete existente na porcelana do urinol. Quanto mais limpava mais riscos ficavam a ver-se.
Era fiscalizado por um Cabo Miliciano, natural da Guiné. Homem muito educado porém naquele dia estava muito exigente por causa da visita do Senhor General às instalações.

Em 25 de Maio (Domingo), fui com outros camaradas até Portimão; Praia da Rocha; Torralta e Alvor. Na praia da Rocha destacavam-se os hotéis: Algarve; Aquazul e Jupiter. Na Torralta existiam cinco prédios, cada um com onze andares e o Hotel Alvor Praia, em Alvor. Aqui os esgotos corriam a céu aberto em direcção ao mar.

Estávamos em 1969 e tudo era novidade para um jovem que anteriormente tinha viajado somente até Évora.

De 2 a 4 de Junho fomos para a carreira de tiro que ficava a 5 ou 6 quilómetros de Tavira, na margem esquerda do Rio Gilão. Fizemos fogo com a G3; Manelica; FBP e Walther. Lançámos granadas.

Em 15 de Junho, Tavira recebeu o III Grande Prémio Casal em ciclismo. As equipas do FC Porto; SL Benfica; Sporting CP; Ginásio de Tavira; Coelima e Ambar disputaram o troféu.

Em 16 de Junho (2.ª feira) houve a feira de gado e diversos na Atalaia.
A Atalaia era um vasto campo, em terra batida, fora do quartel, onde era ministrada a instrução militar teórica e física. Depois das feiras tínhamos de limpar as caganitas do gado caprino e ovino para fazer a respectiva instrução militar de preferência à sombra da cadeia e das igrejas existentes no local.

Na noite desse dia fizemos emboscadas, patrulhas e fogo com a Mauser, utilizando bala simulada, na margem direita do Rio Gilão, até às 23H00.

 Tavira - Rio Gilão
 Foto: © Mário Beja Santos. Todos os direitos reservados

Em 17 de Junho realizou-se um jogo de voleibol entre o CISMI e o CICA 5, de Lagos. O CICA 5 venceu o jogo por 2 a 0.

Em 23 de Junho tomamos a vacina conhecida como “dose de cavalo”.
Na parada do quartel fizemos o último teste escrito.

De 25 a 28 de Junho fomos para o campo - Exercício Rosa Silvestre - sob o comando do Capitão Frederico Pires; Tenente Fonseca; Alferes Jacinto; José Diogo e Mateus e o Aspirante Mendonça.

Em 1 de Julho oferecemos um jantar, na Casa dos Frangos, Tavira, ao comandante do nosso pelotão Alferes José Diogo e seus adjuntos.

Em 2 de Julho recebi o pré de 1$50 (não é erro!) referente ao período de 21 de Abril a 6 de Julho de 1969.

Em 4 de Julho houve festa no CISMI. Dia de Juramento de Bandeira do 1.º Ciclo do CSM do 2.º Turno de 1969.
Nesse dia terminava a passagem de centenas de jovens militares por Tavira.
Tavira, cidade que é bom recordar!

Abraço
António Tavares
Foz do Douro, Sexta-feira 21 de Abril de 2017
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Nota do editor

Último poste da série de 3 de julho de 2014 > Guiné 63/74 - P13361: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (30); Mafra, a EPI, 1967: "Aquele Convento de Mafra era sem dúvida uma fábrica de oficiais"...(Paulo Raposo, ex-alf mil inf, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852, Mansoa e Dulombi, 1968/70)

Guiné 61/74 - P17289: Parabéns a você (1245): Hugo Guerra Coronel DFA Reformado, ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 55 (Guiné, 1968/70) e Humberto Nunes, ex-Alf Mil Art, CMDT do 23.º Pel Art (Guiné, 1972/74)


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Nota do editor

Último poste da série de 26 de Abril de 2017 >  Guiné 61/74 - P17288: Parabéns a você (1244): Rui Vieira Coelho, ex-alf mil médico, CCS/BCAÇ 3872 (Galomaro, 1971/74)... "Desejo-lhe um dia muito feliz junto dos seus e sábado no nosso almoço anual, desta vez em Fátima, vamos cantar-lhe os parabéns e beber um copo à sua saúde" (Juvenal Amado)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Guiné 61/74 - P17288: Parabéns a você (1244): Rui Vieira Coelho, ex-alf mil médico, CCS/BCAÇ 3872 (Galomaro, 1971/74)... "Desejo-lhe um dia muito feliz junto dos seus e sábado no nosso almoço anual, desta vez em Fátima, vamos cantar-lhe os parabéns e beber um copo à sua saúde" (Juvenal Amado)


Guiné > Zona Leste > Guiné > Zona leste > Setor L5 (Galomaro) >  BCAÇ 3872 (1972/74 > Saltinho > 1973 > O alf mil médico num dos rápidos do Rio Corubal. Integrou o BCAÇ 3872 (1972/74) e o BCAÇ 4518 (1973/74).
Foto (e legenda): ©  Rui Vieira Coelho  (2014). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Galhardete do BCAÇ 3872 (Galomaro, 1972/74)


Convívio > 8 de maio de 2016 > Os drs. António Pereira Coelho e Rui Vieira Coelho, à esquerda e ao centro; o  Juvenal Amado, à direita.


Foto (e legenda): © Juvenal Amado  (2017). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do nosso camarada Juvenal Amado, com data de hoje, às 16h38:

O dr Vieira Coelho que prestou serviço no BCAÇ 3872 [, Galomaro, 1971/74], faz hoje anos mas eu só agora soube.

Ele substituiu o dr António Pereira Coelho,  um grande homem, que teve como substituto outro grande homem, que também não foi só o médico do batalhão, foi um amigo numa amizade que se prolongou até aos dias de hoje. (*)

Desejo-lhe um dia muito feliz junto dos seus e Sábado no nosso almoço anual, desta vez em Fátima, vamos cantar-lhe os parabéns e beber um copo à sua saúde. (**)
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(**) Vd. poste de 14 de março de 2017 > Guiné 61/74 - P17136: Convívios (782): XXII Encontro do Pessoal do BCAÇ 3872, dia 29 de Abril de 2017, em Fátima (Juvenal Amado)

Guiné 61/74 - P17287: Historiografia da presença portuguesa em África (74): Subsecretário de Estado das Colónias em visita triunfal à Guiné, de 27/1 a 24/2/1947 - Parte III: Por Cacheu, São Domingos e Farim, a 2, 3 e 4 de fevereiro de 1947... No tempo que ainda era politicamente correto falar-se em colónias, raças, população indígena, colonos europeu... e felupes que "nasceram e querem morrer portugueses", setenta anos depois do "desastre de Bolor"














Recorte do Diário de Lisboa, nº 8688, ano: 26,  edição de terça-feira, 4 de fevereiro de 1947 (Director: Joaquim Manso)

(Cortesia do portal Casa Comum >  Fundação Mário Soares > Pasta: 05780.044.11039

Citação:

(1947), "Diário de Lisboa", nº 8688, Ano 26, Terça, 4 de Fevereiro de 1947, CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_22318 (2017-4-25)















Recorte do Diário de Lisboa, nº 8689, ano: 26,  edição de quarta-feira, 5 de fevereiro de 1947 (Director: Joaquim Manso)

(Cortesia do portal Casa Comum >  Fundação Mário Soares > Pasta: 05780.044.11040 >  


Citação:
(1947), "Diário de Lisboa", nº 8689, Ano 26, Quarta, 5 de Fevereiro de 1947, CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_22322 (2017-4-25)

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Guiné 61/74 - P17286: Os nossos seres, saberes e lazeres (209): Em demanda da mais bela magnólia do mundo (Mário Beja Santos)



1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70) com data de 21 de Março de 2017:

Queridos amigos,
Faz-se uma viagem por causa de um pôr-do-sol, para ir ver uma exposição, uma procissão, pretextos não faltam para nos pormos ao caminho. Nunca esqueci esta magnólia de Castanheira, bastas vezes vim à reverência, durante as férias que passei nas serra da Lousã e quando tive um casebre a escassos quilómetros, numa freguesia de Pedrógão Grande.
Tudo começara em Março, vai para três décadas, aquela majestade em flor jamais foi esquecida. Aproveitei para me passear num dos sonhos realizados pelo professor Bissaya Barreto, castanheirense, reverencio esta obra filantrópica, única no seu tempo. Há muitos passeios que se podem dar na região, tem belezas naturais ímpares, como subir os Coentrais, hoje já não tenho coluna vertebral para tanto. E há o remanescente industrial de Castanheira, as fábricas mortas que nos lembram que aqui se faziam têxteis que deram muito agasalho, no país e lá fora.
Foram outros tempos.

Um abraço do
Mário


Em demanda da mais bela magnólia do mundo

Beja Santos

Tudo se passou algures, entre 1987 e anos seguintes. Tinha publicado um ensaio sobre a descentralização da defesa do consumidor e os desafios postos às autarquias. A ressonância foi praticamente nula. Mas um dia tocou o telefone e apresentou-se um senhor de voz possante com o nome Júlio da Piedade Nunes Henriques, Presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera, propôs-me uma sessão-debate com os munícipes sobre tal assunto, achava estimulante. Acertada a data, escolheu-se Março, a viagem de Lisboa a Castanheira foi agradável, éramos dois tagarelas com muitas histórias para contar, fora da defesa do consumidor. Chegámos ainda com luz, e ao encostar o carro para irmos à Câmara Municipal fiquei especado com uma magnólia gigantesca dentro de um desses belos projetos que Bissaya Barreto concedeu como casas de crianças, a partir de Castanheira, sua terra-natal. O autarca andou a tratar da sua vida, seguramente os preparativos da sessão, a hora compatível com os hábitos da terra e com a necessidade de me voltar a pôr em Lisboa, eu a cirandar à volta da magnólia, nunca vira beleza assim. Os anos passaram, diluiu-se na memória a sessão de Castanheira, a magnólia não, vindo da Lousã ou depois, quando tive um casebre em Casal dos Matos, no interior de uma floresta, no concelho de Pedrógão Grande, vinha aqui em jeito de homenagem a esta beldade. Mas sabia bem que este espetáculo tem o seu auge à volta de Março, gravei a data e ajustei a oportunidade. Aqui estou.

Bissaya Barreto deixou o seu nome ligado a uma fundação e a estas casas para crianças que ainda hoje impressionam, o ilustre professor de medicina e filantropo era um homem de cultura esmerada, os espaços onde ele queria que as crianças fossem felizes foram concebidos com belas envolventes, jardins formosos e bem tratados, com estatuária e bom arvoredo. E as crianças aprenderam a serem felizes rodeadas de boa azulejaria e num ambiente aprazível de jardinagem ímpar, como se pode ver.





Não fotografei ao acaso o banco e as camélias que jazem por terra. Este banco lembrou-me uma impressionante versão da ópera Werther, de Massenet, o encenador arquitetou exatamente um banco alegórico ao drama em que desfechará o sofrimento o jovem Werther, apaixonado por Carlota, casada com outro. Em plena cena, havia todas estas pétalas induzindo as gotas de sangue do seu suicídio. Enfim, associações que cada pode fazer, desta feita uma cena de uma ópera dramática como poucas a ver as camélias murchas a juncar um jardim e a cair sobre um banco.


Em frente à casa da criança está este estabelecimento de ensino e interroguei-me quem era esta viscondessa de Nova Granada, pareceu-me com ressonâncias mexicanas ou sul-americanas. Tudo começou quando um jovem castanheirense foi para o Brasil onde fez avultada fortuna e casou com D.ª Ana Miquelina. Nunca esqueceu a sua terra-natal, deu dinheiro para o hospital e para a Misericórdia. Em 1895, o rei D. Carlos fez dele Visconde de Nova Granada. A viscondessa seguramente que também quis fazer benemerência, será talvez esta a razão de ver o seu nome associado a esta escola primária.


Assomou um sol faiscante e a construção desta entrada tem como que um toldo de cimento, era inteiramente impossível com o sombreado em cheio sobre o belo azulejo encontrar um ângulo que assegurasse toda a imagem. Aqui fica uma pálida lembrança desta cativante beleza azulejar, felizmente intacta.


Findo o passeio de reverência à magnólia mais bela que há em Portugal, e sempre encantado com estas construções legadas por Bissaya Barreto, prosseguiu-se a viagem até um arrabalde, Poço Corga, praia fluvial com um fabuloso parque de castanheiros centenários ali à berma. Encontrei este restaurante e esta lápide, perguntei se o Dr. Júlio da Piedade Nunes Henriques por aqui vivia, alguém comentou que anda muito doente e com padecimentos graves. Pois fica a saber que aqui o saúdo por me ter trazido a Castanheira, por me ter oferecido um barrete de forcado, de que nunca me desfiz, desejo-lhe as melhoras e uma longa vida para poder, como eu, saborear esta magnólia em flor, propósito primeiro e último desta vinda a Castanheira.

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Nota do editor

Último poste da série de 19 de abril de 2017 > Guiné 61/74 - P17260: Os nossos seres, saberes e lazeres (208): Tavira fenícia, árabe, portuguesa; a cidade e a água (2) (Mário Beja Santos)